domingo, 2 de abril de 2017

A Justiça brasileira é branca e masculina. Meritocracia?


Fotos de desembargadores ilustram como a meritocracia premia homens brancos
A palavra “meritocracia” geralmente é utilizada nos discursos políticos para se referir à ideia de que se deve promover pessoas apenas em razão de seus supostos méritos e habilidades, sem que seja necessário haver política de compensação para populações esquecidas por políticas públicas.

Funda-se na ideia de que todos competem em igualdade, bastando estudar e se dedicar para alcançar o tão almejado sonho profissional. São discursos utilizados para rechaçar, por exemplo, cotas raciais e sociais em universidades e concursos públicos, pois seria inconcebível favorecer alguém em detrimento de uma pessoa branca que tirou uma nota maior.

Trata-se de um tema rebatido diariamente pela realidade e o Judiciário não foge da regra. Segundo o censo de 2014, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), percebe-se a aprovação absurdamente maior de pessoas brancas em relação às negras e indígenas. Defender a meritocracia com base nesse gráfico seria dizer que brancos estudam mais e são mais inteligentes, tratando-se de uma afirmação racista que desconsidera os séculos de escravidão e exclusão de minorias de acesso às políticas públicas no país. Como é visível no gráfico abaixo, o Judiciário é branco:

Pesquisa realizada pelo Censo do CNJ em 2014


Dentro do racismo e do classismo, uma vez que falar de pobreza é também falar de negros e negras, ante a histórica marginalização sofrida pela população na escravidão e no pós escravidão, há também

sábado, 25 de março de 2017

25 DE MARÇO: Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão

Por Paulo Franco


Em 17 de Dezembro de 2007, a Assembleia Geral da ONU declarou 25 de março o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos, para ser observado anualmente.



Como pode ser visto no documentário abaixo, "A Rota do Escravo - A Alma da Resistência", produzido pela UNESCO, a prática escravocrata acompanha a história da humanidade desde muito cedo. 

No início o escravismo era decorrência de guerras, onde o vencedor escravizava o vencido. Mas

domingo, 19 de março de 2017

FRIBOI: Quem se beneficiou das suas "doações" ?

Por Paulo Franco
 
Na operação da Polícia Federal denominada "carne fraca", grandes frigoríficos estão no centro das investigações, como as duas das maiores empresas nacionais do ramo de carnes, a JBS e a BRF.  A primeira, dona das marcas Friboi,  Seara e Swift.  A segunda, dona das marcas Sadia e Perdigão. 

A JBS é a maior processadora de carnes do mundo.   Tem 230 mil funcionários, está presente em 150 países e conta com 350 unidades.  Além disso é dona de marcas famosas, algumas mundialmente como: Doriana, Friboi, Seara, Swift, big frango, entre outras. 

A BRF (Brasil Foods) também é gigante e é resultante da fusão de duas grandes empresas do ramo, a

segunda-feira, 13 de março de 2017

Escravidão na Amazônia

Por Ana Aranha e Tania Caliari
Sob risco de acidentes e ameaçados por donos de serrarias, trabalhadores cortam árvores ilegalmente no Pará
Queimada ilícita em campo madeireiro no oeste do Pará. (Foto: Lunaé Parracho)

Novato no ofício de derrubar árvores em regiões que deveriam ser preservadas, João se perguntava por que aceitara aquele ganha-pão "errado demais". 

Ele e seus colegas estavam em meio à floresta amazônica nativa, a 90 km da rodovia Transamazônica, oeste do Pará. Haviam acabado de derrubar a primeira das dez maçarandubas que