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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Como a CIA promove a derrubada de governos

Por Marco Weissheimer


"A ideia é que o governo imploda e que isso cause caos. Com o país em caos, é possível recorrer a meios mais extremos." (Raúl Capote)


A missão da CIA para Raúl Capote era formar líderes universitários e criar o projeto “Genesis”, com o objetivo de estabelecer em Cuba a estratégia do “golpe suave”, elaborada por autores como Gene Sharp.  (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Entre 2004 e 2011, o escritor e professor cubano Raúl Antonio Capote Fernández atuou, a pedido da inteligência cubana, como agente duplo infiltrado na CIA. Raúl Capote foi contatado muito jovem por pessoas ligadas à agência de inteligência norte-americana e convidado a participar de um projeto que pretendia criar uma “oposição de novo tipo” em Cuba, capaz de, após o desaparecimento de Fidel Castro, iniciar uma “revolução suave” que acabasse por derrubar o governo de Havana. A sua missão era formar líderes universitários e criar o projeto “Genesis”, com o objetivo de estabelecer em Cuba a estratégia do “golpe suave”, elaborada por autores como Gene Sharp.

Em entrevista ao Sul21, Raúl Capote conta essa experiência, relata como ela fracassou em Cuba e diz que ela já foi aplicada em países como Venezuela, Irã e Líbia e que segue sendo implementada em diversas regiões do mundo. “A ideia da guerra não violenta consiste em ir solapando os pilares de um governo até que ele imploda. O objetivo não é fazer com que um governo renuncie. Se isso acontecer, o projeto fracassou. A ideia é que o governo imploda e que isso cause caos. Com o país em caos, é possível recorrer a meios mais extremos”, assinala.

Raúl Capote veio a Porto Alegre a convite da Associação Cultural José Martí/RS para participar de uma série de encontros e debates. Ele mantém o blog El Adversário Cubano, onde conta outros detalhes sobre essa história e sobre outras “guerras não violentas” em curso no planeta.

Sul21: Como é que você começou a trabalhar com assuntos de segurança em Cuba e sob que circunstâncias se tornou um agente duplo, atuando infiltrado na CIA?

Raúl Capote: Isso começou em 1986. Eu era um jovem inquieto e rebelde que fazia parte de uma organização chamada Associação Hermanos Saiz, que agrupava jovens poetas, pintores e escritores. Esse espírito rebelde para nós era algo muito natural. Fomos ensinados a ser assim. Creio

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Dez Anos que Abalaram o Brasil





DEZ ANOS QUE ABALARAM O BRASIL

E o futuro?
Autor: João Sicsú
Editora: Geração Editorial
Gênero: Economia e Política
1a. edição
Ano da Publicação: 2013
Acabamento: Brochura
Formato: 14 x 21 cm
Págs: 132
Peso: 195g
ISBN: 9788581301945



O título deste livro foi inspirado no brilhante livro de John Reed, publicado em 1919, sobre a revolução russa de 1917. O livro de Reed intitula-se Os Dez Dias que Abalaram o Mundo. É considerado uma das maiores obras do jornalismo mundial. O livro de Reed é fantástico, é inigualável. É obra prima.  
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Malcon X 
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Dez Anos que Abalaram o Brasil — e o futuro? não trata de uma revolução, não trata dos movimentos, dramas e gritos de operários e camponeses em luta. Trata de uma grande mudança. O Brasil sofreu uma transformação processual e profunda nos últimos dez anos. Cada passo parecia lento e insatisfatório. Mas, quando analisamos o que foi feito constatamos que houve uma grande transformação econômica e social no Brasil. E o futuro?

Parecia distante, mas já chegou. A nova pauta das classes de renda que foram beneficiadas com os avanços do decênio 2003-2012 é uma pauta focalizada no desejo de viver bem, em casa e na rua. Não basta ser só consumidor. Não basta uma TV nova ou um carro popular. O desejo é de ser cidadão. A nova utopia não é o combate ao desemprego, isto está superado porque foi atendido. A nova pauta surgiu a partir do entendimento de que é possível ter saúde, educação de qualidade, transporte barato e eficiente, saneamento, iluminação, coleta de lixo e segurança pública para todos. Este livro destaca os avanços do decênio 2003-2012 e mostra as conexões entre o que foi conquistado e o desejo de cidadania plena. 
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JOÃO SICSU é professor-doutor do Instituto de Economia da UFRJ onde leciona disciplinas de Macroeconomia e Economia Monetária nos cursos de graduação, mestrado e doutorado.
É pesquisador nível 1 do CNPq. É, também, co-organizador e autor de diversos livros. Possui vários artigos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais.
Concentra sua pesquisa nas seguintes áreas: (i)-Políticas Monetária e Cambial, (ii)-Crises Financeiras e Cambiais, (iii)-Inflação e Políticas Antiinflacionárias e (iv)-Arquiteturas Macromonetárias voltadas para o Crescimento e a Estabilidade.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Revolução à Americana

Por Natalia Viana                         #WikiLeaks: Global Intelligence Files


Documentos vazados pelo WikiLeaks mostram como age uma organização que treina oposicionistas pelo mundo afora – do Egito à Venezuela




No canto superior do documento, um punho cerrado estampa a marca da organização. No corpo do texto lê-se: “Há uma tendência presidencialista forte na Venezuela. Como podemos mudar isso? Como podemos trabalhar isso?”. Mais abaixo, o leitor encontra as seguintes frases: “Economia: o petróleo é da Venezuela, não do governo. É o seu dinheiro, é o seu direito… A mensagem precisa ser adaptada para os jovens, não só para estudantes universitários… E as mães, o que querem? Controle da lei, a polícia agindo sob autoridades locais. Nós iremos prover os recursos necessários para isso”.

O texto não está em espanhol nem foi escrito por algum membro da oposição venezuelana; escrito em inglês, foi produzido por um grupo de jovens baseados em outro lado do mundo – na Sérvia.

O documento “Análise da situação na Venezuela, Janeiro de 2010”, produzido pela organização Canvas, cuja sede fica em Belgrado, está entre os documentos da empresa de inteligência Stratfor vazados pelo WikiLeaks.

O último vazamento do WikiLeaks – ao qual a Pública teve acesso – mostra que o fundador desta organização se correspondia sempre com os analistas da Stratfor, empresa que mistura jornalismo, análise política e métodos de espionagem para vender “análise de inteligência” a clientes que incluem corporações como a Lockheed Martin, Raytheon, Coca-Cola e Dow Chemical – para quem monitorava as atividades de ambientalistas que se opunham a elas – além da Marinha americana.
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O Canvas (sigla em inglês para “centro para conflito e estratégias não-violentas”) foi fundado por dois líderes estudantis da Sérvia, que participaram da bem-sucedida revolta que derrubou o ditador Slobodan Milosevic em 2000. Durante dois anos, os estudantes organizaram protestos criativos, marchas e atos que acabaram desestabilizando o regime. Depois, juntaram o cabedal de conhecimento em manuais e começaram a dar aulas a grupos oposicionistas de diversos países sobre como se organizar para derrotar o governo. Foi assim que chegaram à Venezuela, onde começaram a treinar líderes da oposição em 2005. Em seu programa de TV, Hugo Chávez acusou o grupo de golpista e de estar a serviço dos Estados Unidos. “É o chamado golpe suave”, disse.

Os novos documentos analisados pela Pública mostram que se Chávez não estava totalmente certo – mas também não estava totalmente errado.


O começo, na Sérvia


“Foram dez anos de organização estudantil durante os anos 90”, diz Ivan Marovic, um dos estudantes que participaram dos protestos contra Milosevic, mas que não tem ligação com o grupo Canvas. “No final, o apoio do exterior finalmente veio. Seria bobo eu negar isso. Eles tiveram um papel importante na etapa final. Sim, os Estados Unidos deram dinheiro, mas todo mundo deu dinheiro: alemães, franceses, espanhóis, italianos. Todos estavam colaborando porque ninguém mais apoiava o Milosevic”, disse ele em entrevista à Pública.

“Dependendo do país, eles doavam de um determinado jeito. Os americanos têm um ‘braço’ formado por ONGs muito ativo no apoio a certos grupos, outros países como a Espanha não têm e nos apoiavam através do ministério do exterior”. Entre as ONGs citadas por Marovic estão o National Endowment for Democracy (NED), uma organização financiada pelo congresso americano, a Freedom House e o International Republican Institute, ligado ao partido republicano – ambos contam polpudos financiamentos da USAID, a agência de desenvolvimento americana que capitaneou movimentos golpistas na América Latina nos anos 60, inclusive no Brasil.

Todas essas ONGs são velhas conhecidas dos governos latinoamericanos, incluindo os mais recentes.
NYT
Foi o IRI, por exemplo, que ministrou “cursos de treinamento político” para 600 líderes da oposição haitiana na República Dominicana durante os anos de 2002 e 2003. O golpe contra Jean-Baptiste Aristide, presidente democraticamente eleito, aconteceu em 2004. Investigado pelo Congresso dos Estados Unidos, o IRI foi acusado de estar por trás de duas organizações que conspiraram para derrubar Aristide. Na Venezuela, o NED enviou US$ 877 mil para grupos de oposição nos meses anteriores ao golpe de Estado