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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Quer salvar árvores? Coma menos carne

Por Javier Sampedro


Estudo mostra que evitar o desmatamento requer uma mudança planetária nos hábitos de alimentação

Não dá para ter tudo: agricultura ecológica, pecuária extensiva, preservar as florestas e comer carne como comemos. É preciso escolher. De todos esses itens, o mais importante é a dieta. O mais recente modelo matemático desenvolvido por Karl-Heinz Erb e seus colegas do Instituto de Ecologia Social de Viena, compara 500 possíveis cenários para alimentar o mundo em 2050 e revela com clareza que, se não quisermos destruir mais florestas, a expansão da dieta ocidental para todo o planeta se mostra insustentável. A melhor forma de salvar árvores não é parar de comprar livros, mas sim virar vegetariano.

A boa notícia é que não é preciso transformar florestas em terras de cultivo para alimentar o mundo daqui a três décadas, mesmo com a população em crescimento. Dois terços dos 500 cenários possíveis são viáveis sem que se destrua um único hectare a mais de mata. “O desmatamento não é condição para que se possa fornecer comida para o mundo todo em 2050, tanto em termos de qualidade como de quantidade”, afirma Erb. Mas isso implica a adoção de algumas estratégias concretas referentes à agricultura, pecuária, emissões de gases e dietas. Deixar as coisas caminharem sozinhas não é um caminho, de acordo com os resultados do trabalho, apresentado na Nature Communications.

Por exemplo, não seria nem mesmo impossível exportar a dieta maciçamente carnívora dos países ocidentais para o resto do mundo, mas isso exigiria que o rendimento das plantações também aumentasse maciçamente, além de uma expansão acentuada dos terrenos agrícolas junto aos pastos usados hoje em dia para o gado. Ou seja: a eliminação, na prática, da agricultura orgânica e da pecuária extensiva, duas atividades de alta qualidade mas baixo rendimento. Atingir o melhor de todos esses mundos exige uma redução severa de hambúrgueres.

Alguns números sobre os 500 cenários avaliados no estudo (todos eles sem que haja novos desmatamentos, lembre-se): 100% dos cenários são viáveis se toda a população virar vegana; 94% o são se for adotado o relativamente mais flexível ovolácteo-vegetarianismo; dois terços, se a dieta média for mantida tal como se encontra hoje; e apenas 15% se o planeta passar a adotar o atual cardápio indigesto ocidental, baseado no consumo ininterrupto de carne. Quanto menos carne, melhor para as florestas.
"Cem por cento dos cenários seriam viáveis se toda a população mundial virasse vegana"
Interromper o desmatamento é um objetivo prioritário por razões bastante consistentes. Por unidade de área, as florestas armazenam mais CO2 –ou seja, retiram da atmosfera mais gases de efeito estufa-- do que qualquer outro tipo de cobertura vegetal, natural ou agrícola. Além disso, abrigam uma grande parcela da biodiversidade terrestre. A agricultura já retirou muita área das florestas e continua a fazê-lo, sobretudo nas áreas tropicais.

Três quartos da superfície de terra firme, sem gelo, são usados hoje em dia para a agricultura ou pecuária. Essa apropriação da natureza é necessária para alimentar a população e o gado, mas possui importantes efeitos colaterais deletérios de ordem ambiental, como a eutrofização (aporte maciço de fosfatos e outros nutrientes não orgânicos ao ecossistema, com sua consequente colonização por alga de água doce), contaminação por fertilizantes e subprodutos químicos, graves perdas da biodiversidade e emissão de gases que agravam o aquecimento global.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

SEBASTIÃO SALGADO: O Drama Silencioso da Fotografia

REFLORESTAMENTO

De volta à origem


Sebastião Salgado captures the dignity of the dispossessed through large-scale, long-term projects.

Why you should listen to him:
A gold miner in Serra Pelada, Brazil; a Siberian Nenet tribe that lives in -35°C temperatures; a Namibian gemsbok antelope. These are just a few of the subjects from Sebastião Salgado’s immense collection of work devoted to the world’s most dispossessed and unknown.
Brazilian-born Salgado, who shoots only using Kodak film, is known for his incredibly long-term projects, which require extensive travel and extreme lifestyle changes. Workers took seven years to complete and contained images of manual laborers from 26 countries, whileMigrations took six years in 43 different countries on all seven continents. Most recently Salgado completed Genesis, an ambitious eight-year project that spanned 30 trips to the world’s most pristine territories, land untouched by technology and modern life. Among Salgado’s many travels for Genesis was a two-month hike through Ethiopia, spanning 500 miles with 18 pack donkeys and their riders. In the words of Brett Abbott, a Getty Museum curator, Salgado’s approach can only be described as “epic.”
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"...
Quero mostrar-lhes agora, para encerrar, algumas fotos que para mim são muito importantes nesse sentido. Lembram-se de que contei a vocês, quando recebi a fazenda de meus pais que era meu paraíso, que era a fazenda. Terra completamente destruída, erosão, a terra tinha secado. Mas podem ver nesta foto, estávamos começando a construir um centro educacional que se tornou um centro ambiental muito grande no Brasil. Vocês veem muitos pontos úmidos nesta foto. Em cada um desses pontos, plantamos uma árvore. Há milhares de árvores. Agora vou mostrar-lhes as fotos feitas exatamente no mesmo local,dois meses atrás.

Disse-lhes no começo que era necessário plantar aproximadamente 2.5 milhões de árvoresde cerca de 200 espécies diferentes para reconstruir o ecossistema. E vou mostrar a última foto. Estamos com dois mihões de árvores no chão agora. Estamos fazendo a retirada de mais ou menos 100.000 toneladas de carbono com essas árvores.

Meu amigos, é muito fácil de fazer, Fizemos isso, não? Por um acidente que aconteceu comigo, voltamos, construímos um ecossistema. Nós aqui nesta sala, acredito que tenhamos a mesma preocupação, e o modelo que criamos no Brasil, podemos transplantá-lo aqui. Podemos usá-lo em todos os lugares no mundo, não? E acredito que podemos fazer isso juntos.  Muito obrigado."