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terça-feira, 28 de agosto de 2018

VENEZUELA, 28 ANOS DE INSTABILIDADE

Por João Paulo Charleaux

A crise na Venezuela, nos mostra como muitas outras nos países periféricos que sua essência está no confronto entre forças políticas com interesses diferentes. 

A experiência Venezuelana serve de exemplo, de ilustração do que vem ocorrendo no Brasil, onde uma crise institucional, política e econômica foi criada para abortar um governo progressista que, agradando a sociedade, sinalizava a permanência de um longo tempo no poder. 

Um governo progressista numa país periférico, proprietário das maiores reservas de petróleo do mundo, vai de contra os interesses das forças conservadoras, diametralmente opostas.

A crise econômica nesses casos, na verdade é uma crise conjuntural decorrente da verdadeira crise que é o confronto de poder entre o progressismo e o conservadorismo, domestico e internacional. 

Veja esse vídeo, com o roteiro e a apresentação de João Paulo Charleaux, como originou e evoluiu  a crise na Venezuela. 


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domingo, 23 de abril de 2017

Bolivarianismo à francesa: brasileira disputa eleições na França

Por Manuca Ferreira, de Paris*


Neste domingo, 23 de abril, a França tem chance de colocar um esquerdista, Jean-Luc Mélenchon, no segundo turno da eleição presidencial, em uma disputa onde a candidata xenófoba de extrema-direita Marine Le Pen parecia ser a grande estrela. E o socialismo sul-americano estará representado por Silvia Capanema, mineira de 38 anos que vive na França desde o fim de 2002, se filiou ao Partido Comunista Francês (PCF), foi eleita vereadora, ocupa um cargo equivalente ao de deputada estadual e é secretária da juventude e luta contra as discriminações na região de Seine-Saint-Denis, a mais pobre da França continental

(A comunista franco-brasileira Sílvia Capanema)
Casada com um franco-brasileiro, mãe de duas filhas, uma de sete meses e outra de quase três anos, Silvia prossegue na área acadêmica –ela veio à França fazer um mestrado em história e é professora de cultura brasileira, língua portuguesa e história do Brasil, Portugal e América Latina na Paris 13–, que concilia com o ativismo político.

Nessa entrevista exclusiva, por email, para o Socialista Morena, a comunista fala da campanha de Mélenchon, do France Insoumise (França Insubmissa) e sua possibilidade de chegar ao segundo turno, em 7 de maio. Silvia fala ainda dos desafios das esquerdas francesa e brasileira e diz, sem perder de vista a terra natal: “Houve golpe, sim, e é preciso reconstruir o Brasil”.

Socialista Morena – Como surgiu seu interesse pela vida político-partidária?

Silvia Capanema – Sempre gostei. No Brasil, atuei um pouco no movimento estudantil mais tradicional, mas depois me afastei e fiquei mais concentrada na vida acadêmica. Vindo morar aqui, participava de passeatas, mas não estava muito envolvida. Sempre mais envolvida na vida acadêmica, associativa, sempre de esquerda. Quando vim morar em Saint-Denis, em 2010, é que

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Compromisso político da fé

Por Marcelo Barros



De fato, existe uma atividade que é mais politicagem do que política. No entanto, em todas as instituições, há pessoas profundamente éticas e corretas.



Em momentos nos quais o exercício da cidadania parece pouco visível e a alienação social e política tomam formas que chegam até a justificar golpe de Estado, é importante refletir sobre como restituir à política a sua nobreza e dignidade.

Alguns meios de comunicação que se alimentam cotidianamente de assassinatos e assaltos, exacerbam o mesmo sensacionalismo, ao escolher como tema recorrente e quase único a corrupção aparentemente generalizada que assola as instituições públicas. Isso pode deixar em muitos a impressão de que todo político é corrupto e a própria política é sempre ruim.

De fato, existe uma atividade que é mais politicagem do que política. No entanto, em todas as instituições, há pessoas profundamente éticas e corretas. Essas são a maioria das pessoas. A minoria é corrupta e venal. Acontece que uma vida consagrada aos outros e pautada na ética não é notícia. A corrupção, sim, mesmo se ainda não for comprovada e, principalmente, se a sua divulgação favorece a interesses partidários e de classe.

No atual sistema político brasileiro, infelizmente, pessoas se aproveitam de cargos e benefícios públicos para fins privados. Esse mal se implantou em nossas instituições desde a época da colônia. Tomou formas mais sofisticadas a partir dos anos de 1990. A maioria dos brasileiros esperava um rigor maior e uma postura diferente de um governo que prometia uma nova ética e se apresentava como de esquerda ou mais popular.
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Todos queremos governantes que não se omitam e não compactuem com a desonestidade. No entanto, não podemos nos deixar levar por uma carga emocional que condena antes do julgamento e quer punir, sem que haja provas concretas da ilegalidade. Sem dúvida, toda corrupção deve ser condenada, mas a mais grave não é essa que vestais da moral bradam diariamente e sem cessar nos meios de comunicação.

No plano político, a corrupção mais profunda ocorre quando um partido que se apresentava como iniciativa dos trabalhadores e tinha como programa a transformação do Brasil, se acomoda ao poder e troca o projeto de um país justo e igualitário pela mera ambição de ganhar eleições e deter o poder. Para isso, metas fundamentais como a reforma agrária, reforma política e outras reformas de base são deixadas de lado. 
 
Ao fazer todo tipo de conchavo para garantir a tal “governabilidade” pelos caminhos de sempre, o governo coordenado pelo PT se comporta como a gralha da antiga parábola de Esopo. Uma gralha ouviu falar que, em um pombal vizinho, as pombas se alimentavam bem. Então, se pintou de branco, fingiu-se de pomba e foi para o pombal. Deu certo até que, sem querer, ela piou. Ao ouvir o seu granido, as pombas viram que era uma gralha e a expulsaram. Sem alternativas, ela voltou ao meio das outras gralhas que, quando a viram pintada de branco, também não a receberam. E ela ficou sozinha, nem pomba, nem gralha.

No Brasil atual, banqueiros ganham 400% de lucro ao ano. O agronegócio tem até ministério no governo. Grandes empresas de comunicação ganham milhões do próprio governo para desinformar a população e destruir o pouco que foi construído. Mesmo assim, essa elite que representa menos de 10% da população não se conforma e não acredita na gralha vestida de pomba. E ao invés de se achar contemplada por um governo que, depois de eleito, abandonou sua base social, o destrata do mesmo modo. Ignora todas as conquistas sociais e tenta divulgar que o país nunca esteve tão mal como agora. E fomenta as bases para um possível golpe de Estado para libertar o país do “terrível e perigosíssimo” bolivarianismo venezuelano ou simplesmente do comunismo cubano para o qual estaríamos caminhando.

Na Campanha da Fraternidade de 2015, a CNBB propõe o aprofundamento da missão das Igrejas cristãs em sua inserção social e política na sociedade. O papa Paulo VI ensinava que a ação política é a forma mais nobre de se viver a caridade cristã. O objetivo da ação social e política das pessoas que têm fé é testemunhar que o projeto divino de um mundo justo e de paz é possível. É assunto não só dos políticos, mas de todos os cidadãos e, portanto de todos/as que, em meio às lutas do mundo, querem viver em Deus.

O Evangelho de Jesus nos chama para irmos sempre às raízes das questões e trabalharmos por uma transformação radical de todas as estruturas da sociedade. O programa do Conselho Mundial de Igrejas que reúne 349 Igrejas cristãs resume isso no programa: Paz, Justiça e Cuidado com a Criação.
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Marcelo Barros é monge beneditino e teólogo. Atualmente, é coordenador latino-americano da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo (ASETT) e assessora comunidades eclesiais de base e movimentos sociais.