Mostrando postagens com marcador joao goulart. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador joao goulart. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de julho de 2014

JANGO: Projeto de Nação

Por JUREMIR MACHADO SILVA



Este livro, de Cássio Moreira, é um dos melhores estudos sobre a presidência de Jango. Em “O PROJETO DE NAÇÃO DO GOVERNO JOÃO GOULART: o Plano Trienal e as Reformas de Base (1961-1964)”, o autor explicita cada detalhe da situação econômica e social brasileira na época. Originalmente uma tese de doutorado em economia, a pesquisa aqui apresentada tem a qualidade do texto bem escrito, da análise rigorosa e da riqueza de dados. Todos os clichês sobre o período desabam diante dos números, dos conceitos, das informações e do rigor da leitura.

O leitor encontra neste livro um manancial quase inesgotável de elementos para fazer a sua própria interpretação das aspirações, metas e promessas de Jango. É preciso lembrar que ele governou o Brasil num tempo de muitas incertezas, gigantescas pressões, devastadoras manipulações e todo tipo de golpe baixo. A imprensa, ao longo dos meses, tornou-se um dos principais inimigos de Jango. O golpe de 1964 foi um golpe midiático-civil-militar. As reformas propostas por Jango eram exequíveis, necessárias e salutares para o Brasil. Elas encontraram resistência na medida em que confrontaram poderosos interesses e privilégios das classes dominantes. Cássio Moreira traduz esse tempo conturbado em cifras, indicadores, conceitos, paradigmas econômicos em conflito e, principalmente, em termos de disputas de interesse.
____________________

Eis um livro para se tornar referência, um instrumento de consulta, esclarecimento, informação e formação. Nele se encontram os aspectos fundamentais para o julgamento racional e consequente das possibilidades e limitações do governo de João Goulart. Por trás dos números e dos conceitos, pode-se ver o presidente com seu estilo, suas peculiaridades e sua margem de manobra diante da conjuntura econômica, social e política. Outra qualidade desta obra é mostrar que teses podem ser bem construídas, claras e muito úteis para a sociedade. Nas páginas que seguem, descortina-se um certo Brasil negado, vilipendiado, obscurecido e intencionalmente repudiado.

Nos 50 anos do golpe de 1964, uma obra essencial.
____________________

Juremir Machado da Silva

Autor de “Getúlio” (Record), “Jango, a vida e a morte no exílio” (L&PM) e de “Vozes da Legalidade, política e imaginário na era do rádio” e “1964 Golpe Midiático-Civil-Militar” (Sulina)


COMPRE ON-LINE: Livraria Saraiva

sexta-feira, 28 de março de 2014

Discurso de Dilma Rousseff sobre o Golpe de Estado de 1964 (Hipotético)

Por BRENO ALTMAN


Quando amanhecer o dia 31 de março, o país estará tomado pela recordação de um fato dramático. Milhões de brasileiros lembrarão – e serão lembrados – dos 50 anos da deposição do presidente João Goulart por uma aliança cívico-militar que imporia a longa ditadura dos generais.

Muitos artigos, reportagens e entrevistas, nos mais diversos veículos de comunicação, resgatam episódios daquele período. Homens e mulheres da resistência contam a epopeia da luta antifascista e o terror da repressão. Até cúmplices e protagonistas do golpe de 1964, como é o caso de boa parte da velha mídia, vertem lágrimas de crocodilo pela usurpação cometida.
____________________
Leia também:
____________________

Aberrações também têm vez. Militares da reserva, e oxalá que apenas esses, celebram o feito e reincidem na elegia ao crime de lesa-pátria que orgulhosamente exibem em sua biografia. Pequenos grupos de reacionários sem farda igualmente mostram suas garras.

Milhares e milhares de cidadãos, no entanto, estarão à espera que se pronuncie a voz de uma mulher. Uma valente militante contra a ditadura, que enfrentou tortura e prisão. Quis o destino que essa combatente, Dilma Vana Rousseff, viesse a ser presidente da República no cinquentenário do regime militar. Ela poderia, como representante maior do Estado, falar à nação sobre aquela era sombria.

Um discurso breve e contundente, que permitisse ao país fechar cicatrizes do arbítrio, determinar responsabilidades históricas e anular o ultraje institucional que ainda permite, a torturadores e assassinos, esconder seus crimes ou reivindicá-los com galhardia. Talvez algo parecido com as palavras abaixo entrelaçadas:


"Brasileiros e brasileiras





Dirijo-me essa noite à nação, como presidente da República e comandante-em-chefe das Forças Armadas, para falar de um momento trágico de nossa história. Refiro-me ao golpe militar de 1964, que chega hoje a seu cinquentenário.

Oficiais de então, aliados a setores antidemocráticos do parlamento e da sociedade civil, levaram os três ramos de nossas estruturas militares a romper com a Constituição e suas melhores tradições republicanas, impondo um regime de terror e arbítrio que durou 21 anos.

O presidente João Goulart, governante legal e legítimo, foi derrubado porque a política de reformas que implementava, a favor da distribuição de renda e riqueza, em defesa da independência nacional e do nosso desenvolvimento, contrariava interesses poderosos, aos quais se alinharam os generais que assaltaram o poder.