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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

À sombra da tragédia de Mariana

Por Lucas Ferraz  para a Agência Pública

Ampliação de projeto de mineração no interior de Minas prevê barragem 4 vezes maior do que a do Fundão acima de comunidades que já sofrem com seca do rio e ameaças de morte Imagens Flávio Tavares Montagem Sofia Amaral Finalização André Oliveira Coordenação Thiago Domenici Direção de jornalismo Marina Amaral



Imagens Flávio Tavares 
Montagem Sofia Amaral 
Finalização André Oliveira 
Coordenação Thiago Domenici 
Direção de jornalismo Marina Amaral

Veja a reportagem na íntegra, no link: https://apublica.org/2018/01/a-sombra-da-tragedia-de-mariana/

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Comercial da Samarco: Um pequena amostra de como a elite burguesa trata o povo brasileiro

Por Paulo Franco

Revolta e indignação, foram os meus sentimentos quando assisti neste domingo, dia 14 de fevereiro, em horário nobre da televisão, o comercial da Samarco. 


A Samarco, como todos sabemos, foi a empresa que provocou, criminosamente, o maior desastre ambiental e social da história deste país. Aliás o maior incidente, já que foi provocado por ação humana. 

As consequências foram 17 pessoas mortas, um distrito municipal inteiro soterrado pela lama tóxica, um rio total mente contaminado, incluindo a costa marítima do estado do Espirito Santo, numa extensão de 600 km, morte de milhões de peixes, um rio morto por dezenas de anos, entre outros tantos estragos cometidos pela lama escorrida.
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O filósofo e educador, Mario Cortella foi feliz ao chamar a atenção da sociedade que o Incidente de Mariana, o incidente de Paris não são tragédias, mas fatos dramáticos que aconteceram em decorrência de ações humanas.  Tragédias são terremotos,  Furacões e outros eventos sem nenhuma interferência humana. 

A veiculação desse comercial é um dos milhares fatos que exemplificam, retratam a estrutura de nossa sociedade e como essa estrutura estabelecem relações entre os diversos grupos e classes sociais. Retrata como a elite burguesa (empresarial) sub-julga o povo brasileiro, tratando-o com descaso, subestima-o intelectualmente. 

Neste caso vemos como nitidez, a desfaçatez da empresa em montar um vídeo de "ficção" para iludir, escamotear a realidade dos fatos.   A hipocrisia é tamanha que ficamos estarrecidos com a coragem da empresa e nos perguntamos: "Será que os gestores da Samarco pensa realmente, que a sociedade brasileira é tão medíocre, a ponto de engulir todas essas lorotas?". 

As fraudes contidas neste comercial vai desde a negação da culpabilidade da empresa, com a frase "...a barragem se rompeu.." dita por uma aparente funcionária, como se fosse uma ocorrência ao acaso, aleatória, sem causas definida, fora do controle da empresa. 

As mensagens enganosas continuam com a intenção da fixação de uma imagem positiva, e consequentemente influenciar a opinião pública de que a Samarco é, além de mineradora, uma entidade filantrópica, que se preocupa com o meio ambiente, coma as pessoas, ou seja, que é uma empresa que tem responsabilidade social e ambiental. 

A culpabilidade dos gestores da Samarco é notória.  Obviamente, como um país democrático, onde vigora (ou deveria vigorar) o estado de direito, as punições só podem ocorrer se houverem condenações judiciais e o processo transitar em julgado.  Houve negligência quanto aos aspectos fisicos da barragem, houve negligência posterior ao terem conhecimento anterior de que havia risco de rompimento da barragem e houve negligência quanto à existência de um sistema de alerta da população. 

E importante registrar que já foram decorridos mais de 100 dias e até agora nenhuma punição foi concretizada. Não foi decretada nenhuma prisão preventiva ou provisória, apesar do tamanho, da gravidade e do poder dos autores sobre a documentação e outros elementos essenciais para investigação dos fatos e apuração de responsabilidades. 

Embora o Ibama tenha aplicado uma multa de R$ 250 milhões e a Secretaria do Meio Ambiente de MG tenha aplicado uma multa de R$ 112 milhões, perfazendo um total de R$ 362 milhões, à Samarco e suas controladoras, a Vale e a BHP, nada foi recolhido até o momento.  As empresas recorreram da decisão e tudo continua "como dantes no quartel de abrantes". 

Há muitas outras consequências e prejuizos que já são do conhecimento público e que a empresa parece lavar as mãos.

Veja a visão de Mario Sergio Cortella, sobre a rompimento da barragem da Samarco:


quinta-feira, 21 de maio de 2015

Petrobras ou Vale, qual mesmo está em maus lençóis?

Por Paulo Franco


O desempenho da Petrobras é realmente tão ruim como é amplamente divulgado pela imprensa e pelos analistas financeiros?  Para fundamentar minha análise vou usar uma das maiores empresas nacionais, a Vale. 

Como sabemos a Vale foi privatizada, enquanto que a Petrobras não, continuando como em empresa estatal de capital misto.

O interesse pelos paralelo que pretendo construir tem as seguintes  razões objetivas:
  • há uma discussão doutrinária e até ideológica quanto a questão do desempenho entre uma empresa privada e uma estatal.
  • Ambas as empresas tem tamanho e importância semelhantes, tanto no cenário doméstico quanto no cenário internacional.
  • Ambas as empresas atuam em segmentos semelhantes, tendo relação direta com o mercado de commodities.
  • Há uma crença que uma empresa privada, aqui representada pela Vale, é mais eficiente, imune de corrupção e praticas viciadas como o nepotismo, com mais liberdade de gestão, com mais velocidade no processo de decisório e portanto com resultados e retorno do capital melhores. 
  • Há uma crença na mesma linha, que uma empresa estatal, aqui representada pela Petrobras, é muito ineficiente,  consumida pela corrupção, vulnerável ao intervencionismo nocivo do estado, palco de praticas que vai do nepotismo e outras fraudes, com um processo decisório lento e por conseguinte apresenta baixos resultados com retorno de capital extremamente baixo. 


EVOLUÇÃO DO LUCRO



Para facilitar a percepção, plotei a evolução dos lucros líquidos anuais das duas empresas, no gráfico ao lado.

Através do gráfico fica fácil perceber que o desempenho da Petrobras foi melhor do que o da Vale no período de 2002 a 2014.
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Outra variável fundamental a favor da Petrobras é a volatilidade (risco) dos resultados obtidos ano a ano.  Os resultados da Petrobras tem baixa variabilidade, além de ter sido sistematicamente crescentes não sendo observado prejuízo em nenhum ano nesse período.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

A Forbes, a Petrobrás e os Berlusconis brasileiros

Por Paulo Franco


A Petrobrás cai para a 416ª colocação no ranking da Forbes e a Vale cai para a 413ª colocação.  Os coronéis da Mídia, mostram somente a queda da Petrobras, fazendo o maior barulho, mas escondem queda da Vale para não ofuscar a tragédia na Petrobras.




A FORBES

A Forbes, a revista já conhecida de todos.  Talvez, mais que as torres gêmeas, que o FMI, a Forbes é o grande símbolo do capitalismo moderno.  O capitalismo da ostentação, o capitalismo que exalta a concentração de rendas, que mostra uma distância social do tipo Oiapoque a  Chuí.  Quanto maior a distancia entre esses dois polos, maior é o sucesso de um desses polos, enfatizando que sucesso é estar no topo.  Aí a existência dos miseráveis espalhados pelas periferias do mundo têm  a função de exponenciar o sucesso do seleto clube Forbes. 

A PETROBRAS

A Petrobras é a maior empresa brasileira, detém o controle sobre a exploração, a produção de petróleo e gas no Brasil.  Tem mais de 100 mil funcionários diretos e talvez uns 400 mil indiretos.  Tem um desempenho que é referência mundial, não só no campo exploratório, como no desempenho operacional, econômico e financeiro, mas também nos avanços tecnológicos. 
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Neste mês de maio, a empresa recebeu pela terceira vez o prêmio, o OTC Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations and Institutions, ao conjunto de tecnologias desenvolvidas para a produção da camada Pré Sal. Esse prêmio, segundo a própria Petrobras, é o maior reconhecimento que uma empresa de petróleo pode receber na qualidade de operadora de offshore.

Fato importantíssimo para a Petrobras e para o Brasil, obviamente ignorado pelos nossos Berlusconis propositalmente.  A Petrobras também está tendo uma valorização no mercado de ações  de quase 100% em pouco mais de um mês, o que a mídia também esconde da sociedade, informando somente quando os preços das ações caem.

Recentemente também, a gigante do Petroleo a anglo-holandesa Shell, comprou uma de suas grandes rivais pela bagatela de US$ 70 bilhões, o BG Group,  tornando-se o maior parceiro da Petrobras na exploração de Petróleo e Gas.  Analistas tem declarado que na verdade a Shell comprou o "Brasil" ao fechar essa aquisição do BG Group. 


OS BERLUSCONIS BRASILEIROS

Os Berlusconis brasileiros, é uma denominação atribuída aos coronéis da mídia brasileira,  pela organização internacional RSF - Repórteres Sem Fronteiras.  Essa denominação é uma alusão ao poderoso, bilionário,  neoliberal, proprietário da Mediaset e do clube de futebol A.C. Milan. Político poderosíssimo, foi primeiro-ministro por 4 vezes.

Os Berlusconis brasileiros, mais ricos que o próprio Silvio Berlusconi, são também poderosíssimos, também, mais poderosos no Brasil do que o próprio Berlusconi na Itália.  Encabeçam a lista das famílias mais ricas do Brasil desempenhando o papel de porta voz e "ministério da Comunicação e Propaganda" da elite burguesa brasileira.

terça-feira, 30 de abril de 2013

10 motivos para acreditar que chegou a hora da virada da bolsa brasileira



BofA acredita que país chegou a um ponto de inflexão em termos de crescimento, lucros e confiança e seleciona 3 blue chips para se aproveitar dessa reviravolta.


Por Thiago Salomão

O viés negativo dos grandes investidores para a bolsa brasileira, algo que ficou explícito nos últimos meses, parece cada vez mais se distanciar da realidade atual. É a percepção que se tem com os relatórios elaborados pelos analistas de bancos internacionais, que possuem como grande maioria de clientes investidores internacionais e institucionais - ambos responsáveis por movimentar uma enorme quantia de dinheiro.

Jutando-se aos últimos relatórios divulgados nas últimas semanas por casas de research renomadas, como Credit Suisse, HSBC e Santander, o time de analistas do Bank of America Merrill Lynch divulgou na manhã desta terça-feira (30) um relatório entitulado "10 reasons not to be so bearish on Brazil", ou 10 motivos para não estar "bearish" (com viés baixista) para o Brasil, na tradução livre.

O estudo, assinado por Felipe Hirai, David Beker e Marina Valle, conclui que, após um longo período de pessimismo por parte dos investidores, o Brasil finalmente chegou a um ponto de inflexão em termos de crescimento, lucros e confiança, apostando que agora é a hora da retomada. Além disso, os analistas do BofA afirmam que a melhor forma de se posicionar no País é por meio das ações das blue chips Itaú Unibanco, Petrobras e Vale que têm performado abaixo da média em 40% desde 2009.



Enxegando ponto de inflexão no Brasil, BofA Merrill Lynch lista 10 motivos para não estar pessimista com Brasil e seleciona três blue chips para se posicionar na bolsa.

Os 10 motivos:


1. Crescimento em 2013 muito mais forte do que de 2012: 

a atividade econômica vem mostrando sinais de retomada, com a atividade industrial retornando para o campo positivo em fevereiro, ao passo que as vendas de varejo apresentaram um crescimento de 19,7% entre o primeiro trimestre de 2012 e 2013.

No lado da oferta, as perspectivas para a agricultura estão bastante otimistas, apontando para um crescimento de 8,6% neste ano. Já no setor industrial, o menor "spread" dos financiamentos neste ano deve amenizar os impactos na saúde financeira das empresas. Ainda sobre os spreads, o BofA avalia que os bancos sofreram menos com as medidas anunciadas pelo governo em 2012 nesse âmbito.

2. Necessidade "desesperada" de investimento privado:

para o BofA, o ponto-chave para resolver o enigma "baixo crescimento + alta inflação" é aumentar o investimento privado. E o governo já começou a se mobilizar neste sentido, apontam os analistas do banco, destacando o aumento na TIR (Taxa Interna de Retorno) oferecida nas novas concessões rodoviárias, de um patamar entre 5% e 5,5% para 7% e 8%. Além disso, diversos pacotes de estímulo engatilhados pela presidente Dilma e o aumento das PPPs (Parcerias Público Privada) também trazem uma expectativa favorável para o País.

3. Consenso do mercado está "bearish" demais:

segundo dados da pesquisa de gestores realizada pelo próprio BofA, os investidores seguem "underweight" (com exposição abaixo da média) com o Brasil, com o fluxo dos fundos mostrando uma saída líquida de US$ 1,6 bilhão desde o começo do ano - no resto do mundo, houve uma entrada líquida de US$ 105 bilhões em ações. "Na nossa visão, o sentimento sombrio em torno do Brasil parece já estar precificado em seu mercado de ações", concluem Hirai, Beker e Valle.