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terça-feira, 18 de outubro de 2016

LULA e CIRO venceriam no primeiro turno, numa eventual aliança entre ambos.

Por Paulo Franco


O Instituto Vox Populi divulgou hoje o resultado de sua pesquisa de opinião pública sobre governo e eleições. 

Há muitas coisas interessantes e reveladoras nessa rodada das pesquisas do Vox Populi, mas vou me concentrar, nesta oportunidade, na pesquisa estimulada tanto na percentagem em relação aos votos totais, quanto em relação aos votos válidos.

Intenção de votos estimulada - votos totais

O primeiro aspecto que eu destacaria seria a forte alta na intenção do eleitor em declarar seu voto em Lula que subiu de 29% para 34% em relação à rodada de junho de 2016.

Outro resultado interessante for a forte queda de Marina que foi de 18% para 11% em relação à última pesquisa em junho de 2016. 

Já Aécio Neves, embora tenha caído nas últimas duas rodadas, não foram quedas acentuadas. 

Vejam os números no gráfico a seguir. 















Intenção de votos estimulada - votos válidos

Votos válidos são aqueles destinados a um ou outro candidato, sendo desprezados os votos nulos, em branco e abstenções.  Esse é o critério estabelecido pela legislação e  utilizado pela justiça eleitoral para proclamar o vencedor do pleito. 

Utilizando-se desse critério, e neste caso  por se tratar de uma pesquisa,  foram consideram inválidos também as respostas "não sei". 

Com esse critério, Lula acentua sua dianteira chegando a 47%, diante dos 39% obtido em junho.  Na mesma linha, Marina despencou de 24%, para 15%.  Os demais candidatos tiveram movimentações marginais. 






Essa alta significativa na intenção de voto para Lula e, concomitantemente a fote queda na intenção de votos na Marina, indica que algum fator impactante ocorreu no período redirecionando de um para outro candidato. 

Poderíamos, sem grandes riscos de cometer erro, supor que o fator determinante para essa elevação serja a insana e acintosa perseguição das autoridades da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário a Lula. 

Ao mesmo tempo que está visível a perseguição, a insistência em abrir processo e o oferecimento de denúncias, transformando Lula em réu, mesmo  sem provas ou fortes evidências, enquanto que essas mesmas autoridades fazem vista grossa para os corruptos e criminosos com um farta quantidade de provas irrefutáveis e cabais.

Há algum tempo atrás eu publiquei no facebook um comentário dizendo que a prisão de Lula, embora fosse uma violência no plano individual, seria o melhor dos mundos para o PT e para a esquerda, pois ele se fortaleceria muito, tornando-se praticamente invencível num pleito eleitoral. 

Parece que a população também tem essa percepção, que Lula está sendo vitima de uma caça sem precedentes na política brasileira, salvo em períodos ditatoriais, onde os métodos são mais obscuros e não da forma explícita como vem ocorrendo. 

O golpe travestido de impeachment também alertou a sociedade como toda a imprensa internacional que estava vendo o Brasil pelos olhos da grande mídia local.  

O fato de Dilma ter um ficha limpa e os políticos que a depuseram serem fichas sujas, corruptos, criminosos, presentes em quase todas as  delações e vazamentos de vídeos acendeu uma luz amarela na  população nacional e internacional, principalmente na imprensa que passou a olhar para o Brasil através de outros olhos, que não a grande mídia nacional.

Já é notório não só no Brasil, mas em todo o mundo que vivemos um período excepcional, que o Impeachment não passou de um golpe e que o estado de direito está sendo desrespeitado e a Democracia brasileira está totalmente abalada e desacreditada internacionalmente. 

A vitória de Lula e Ciro numa eventual aliança entre ambos





Como já vimos no gráfico anterior que compilou os votos válidos, caso a eleição fosse hoje e a pesquisa refletisse a realidade, não haveria vitória em primeiro turno, já que Lula, o candidato da dianteira atingiu apenas 47%, o que é inferior à somatória dos demais candidatos que perfazem 53% dos votos válidos. 

Todavia, essa abrupta e acentuada elevação das intenções de votos em Lula e a, também, abrupta e acentuada queda das intenções de voto em Marina, abriu um gap entre as preferencias por Lula em relação aos demais candidatos, permitindo vislumbrar a possibilidade da decisão ocorrer no primeiro turno das eleições futuras, caso a tendência se mantenha. 

A ocorrência de uma eventual aliança entre Lula e Ciro, alias como tem sido especulado nos últimos tempos, a eleição poderia ser decidida já no primeiro tuno, pois a soma das intenções de voto para Lula e para Ciro, somaria 54% (47% + 7%), contra 46% da somatória das intenções de votos dos demais candidatos.  Nesse cenário, abriria um diferença de 8%, fechando a eleição em primeiro turno.

É obvio que esse resultado é válido se as intenções de votos individuais foram mantidas no caso da aliança entre os dois candidatos. 

Vejam os números no gráfico a seguir.














quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Vox Populi x Ibope: Fraude ou erro grosseiro?

Por Paulo Franco


"...ou há fraudes ou há falhas técnicas grosseiras nas pesquisa de um ou mais institutos. Mas de qualquer forma é muito grave, já que estamos falando de uma eleição para presidente num dos maiores países do mundo. 

O que chama a atenção da sociedade é que em todas essas discrepâncias demonstradas os números do Vox Populi é a favor da candidata Dilma e os números do Ibope ou do Datafolha são contra Dilma.  O que  aumenta a desconfiança de fraude de um lado ou de outro..."



Os resultados das pesquisas eleitorais para Presidência da República divulgadas nesta semana mostraram resultados divergentes entre os institutos.  

Poder-se-ia considerar um ponto fora da curva, bastando desprezá-la, como faz o júri nas Olimpíadas, na tabulação das notas, desprezando-se a maior e a menor nota com o objetivo de evitar possíveis parcialidades.

Todavia não é este o caso, pois as pesquisas eleitorais são regidas por uma legislação específicas e é feita, pelo menos teoricamente, com todo o rigor metodológico e estatístico estabelecidos por critérios científicos. 

O rigor metodológico estabele que os resultados devem estar compreendido dentro de um intervalo, chamado de intervalo de confiança, dentro do qual o resultado é confiável.  
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Os institutos trabalham, com a concordância do cliente que os contratam, com uma probabilidade de 95% que na teoria da amostragem, compreende uma distancia de dois desvios padrões em torno da média, ou seja, entre a nota com 2 desvios padrões a menos que a média e o valor com 2 desvios padrões acima da média. 

De modo que o insituto garante, respaldado num elevadíssimo grau de confiança (95%) que o resultado real, estará na faixa entre os valores limites das margens de erro (distancia de 4 pontos percentuais)


NÃO HÁ COMO EXPLICAR O INEXPLICÁVEL



Os resultados da candidata Dilma apresenta uma certa "cristalização", variando um ponto para cima ou um pouco para baixo, tanto na dimensão tempo, quanto olhamos os diferentes institutos.  Portanto, essas diferenças acabam situando-se dentro das margens de erro das diversas pesquisas, quando muito no limite dessas margens. 

Mas com relação à candidata Marina, a coisa muda de figura. Enquanto o ibope apresentou 30% de intenção de votos da amostra pesquisada, o Vox Populi apresentou tão somente 22%.  Uma diferença absurda do ponto de vista estatístico, se a metodologia foi aplicada adequadamente. 

O Intervalo de Confiança apurado pelo Ibope situa-se entre 28% e 32%.  Isso significa que há 95% de probabilidade de que o resultado real, na prática, fique nesse intervalo.  

O intervalo de Confiança apurado pelo Vox Populi situa-se entre 19,8% e 24,2%, já que este instituto estima o erro amostral em 2,2%.

Constatamos ai um vácuo absurdo de de 3.8% de distância entre o valor mínimo do invervalo de confiança do Ibope (28%) e o valor máximo do intervalo de confiança do Vox Populi (24,2%).

A probabilidade de que o resultado, do ponto de vista do Ibope, fique abaixo do limite mínimo do erro amostral ou seja, 28%, é de 2,5% (cauda esquerda da curva normal).  Mas quanto mais distante desse limite, menor é a probabilidade, ou seja, a probabilidade de ocorrência de votos ficar abaixo dos 24,2% (limite máximo da Vox Populi) é perto de zero segundo a versão Ibope.


DATAFOLHA É O "PONTO FORA DA CURVA" NO SEGUNDO TURNO


No segundo turno o problema se repete, mas neste caso é com a própria Dilma.  Enquanto o Ibope mostrou 41% de intenção de votos, o Vox Populi revelou 46%. Novamente o intervalo de confiança de ambas as pesquisas não se cruzam, mostrando novamente que há problemas também no segundo turno.

Na verdade, a discrepância maior no segundo turno é entre o Vox Populi e o Datafolha, na apuração da intenção de votos de Marina.  Enquanto o Datafolha mostra 46% o Vox Populi apurou apenas 39%.  Novamente ocorrendo um vácuo entre os dois intervalos de confiança.  O único atenuante neste caso, é que há uma diferença de praticamente uma semana de diferença entre as duas pesquisas.


A BOLHA ELEITORAL MARINA SILVA ESTARIA MURCHANDO? 


O resumo da ópera é: ou há fraudes ou há falhas técnicas grosseiras nas pesquisa de um ou mais institutos. Mas de qualquer forma é muito grave, já que estamos falando de uma eleição para presidente num dos maiores países do mundo. 

O que chama a atenção da sociedade é que em todas essas discrepâncias demonstradas os números do Vox Populi é a favor da candidata Dilma e os números do Ibope ou do Datafolha são contra Dilma.  O que  aumenta a desconfiança de fraude de um lado ou de outro. 

A hipótese de erro grosseiro é mais frágil.  Primeiro porque estamos falando dos mais sofisticados institutos de pesquisas do país.  Todos donos de um know how inquestionável.  Depois, se fosse um caso de erro, diante das divergências expostas, o instituto que tenha cometido o erro, já teria corrigido o erro e se retratado perante a sociedade. 

A hipótese de uma bolha artificial criada pela oposição, a mídia e os institutos de pesquisas volta à tona e caberia uma auditoria dessas pesquisas envolvendo todas as fases, desde o planejamento, a definição de perfil de amostra,  a análise dos questionários, a checagem da conduta dos pesquisados em campo, a tubulação dos dados, o relatório final e a análise e apresentação dos resultados finais.