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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Eu, Judeu, Não Perdoarei

Por Marcelo Gruman



Para mim, era inadmissível. Era inadmissível que um clube judaico abrisse voluntariamente, em nome da “liberdade de expressão”, suas portas a um candidato postulante ao mais alto cargo do poder executivo da República que sempre se orgulhou em demonstrar publicamente seu desprezo pela democracia, que homenageou, na tribuna da Câmara dos Deputados, um notório torturador, que vilipendiou a memória de um jornalista judeu assassinado nos porões da ditadura militar, que sempre fez questão de dizer que Direitos Humanos servem tão somente pra proteger “vagabundo” e pregou um cartaz na porta de seu gabinete, em Brasília, quando era deputado federal, onde se lia “Desaparecidos do Araguaia. Quem procura osso é cachorro”. Que disse, a uma colega, numa demonstração explícita de machismo e misoginia, não merecer sequer ser estuprada “por ser muito feia”.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

O Apelo (em vão) de Roger Waters a Caetano e Gil


Por Roger Waters


"Quando tudo isso acabar, nós iremos à Terra Santa, cantaremos nossas músicas de amor e solidariedade.

Mas, até que isso termine, até que todos os povos sejam livres, nós não vamos entreter as cortes do rei tirano.

Caros Gilberto e Caetano, os aprisionados e os mortos estendem as mãos. Por favor, unam-se a nós cancelando seu show em Israel. (Roger Waters)"




"Caros Caetano e Gilberto,

Quando olho para suas fotos, escuto suas músicas, leio a história de suas lutas pessoais e profissionais, lembro de todas as lutas de todos os povos que resistiram a um domínio imperial, militar e colonial através do milênio, que lutaram pelos aprisionados e pelos mortos. Nunca foi fácil, mas sempre foi certo.

Em uma de suas músicas, Gil, você menciona o arcebispo Desmond Tutu. Eu não falo português, mas assumo que vocês dois aplaudam a resistência do arcebispo Tutu ao racismo e ao apartheid que acabaram derrubados na África do Sul. Eram dias impetuosos, quando a comunidade mundial de artistas estava lado a lado com seus irmãos e irmãs oprimidos na África. Nós, os músicos, lideramos o levante naquele momento, em apoio a Nelson Mandela, a ANC, ao povo africano oprimido e a todos os aprisionados e mortos.
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Estamos diante de uma oportunidade igualmente significativa agora. Estamos em um ponto culminante. Aqueles de nós que estamos convencidos que o direito a uma vida humana decente e à autodeterminação política devem ser universais estamos, em consonância com 139 nações da Assembleia Geral da ONU, focados na Palestina.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Negócios: O Verdadeiro Motivo do Apoio dos Evangélicos a Israel e o Repúdio à Dilma

Por KIKO NOGUEIRA para o DCM


A reverenda Jane Silva, uma voz ativa pró-israelense, organizadora do encontro no Itamaraty, preside a Associação Cristã de Homens e Mulheres de Negócios e a Comunidade Brasil-Israel.









Há dois motivos principais para a mobilização de lideranças evangélicas desgostosas com a condenação de Dilma à ação de Israel em Gaza. O primeiro: negócios. Em segundo lugar, mas não menos importante, os negócios.

Segundo conta a BBC, perto de oitenta pessoas estiveram no Ministério de Relações Exteriores para uma audiência. A articulação coube ao deputado federal Lincoln Portela, estrela da bancada evangélica.
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Há uma aproximação clara entre as igrejas pentecostais e o judaísmo. Isso ficou evidente nas imagens da inauguração do Templo de Salomão. Além do monumento em si, inspirado na obra do filho de Davi, o bispo Edir Macedo tem se trajado com o xale sagrado usado por rabinos e, no cocuruto, está exibindo um solidéu. Sem contar a barba de profeta.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Paz na Palestina: Difícil mas não Impossível

Por PAULO FRANCO

Israel sob o governo trabalhista e o Lider da OLP avançaram muito na conquista da paz na Palestina, reconhecendo ambos os estados de Israel e o Palestino, numa relação que seria pautada pela tolerância e respeito mútuo.


Primier Itzhak Rabin e Yasser Arafat celebram acordo de paz na Casa Branca
A única, mas mesmo assim remota, chance de paz na Palestina, passa necessáriamente, por um governo de esquerda. 

A implantação do Estado de Israel com o impedimento ao mesmo tempo da criação de um estado palestino e a propria eliminação da população original local, para um efetivo dominio total do território, é um projeto dos judeus extremistas de direita, movimento chamado de sionismo e conhecimento mundo afora como Zionismo, numa paralelo ao Nazismo em função das estreitas semelhanças na metodologia e na violência para colocar em pratica, seus planos.

Mesmo com um governo de esquerda essa paz é remota. O momento histórico em que a tolerância e o respeito entre o povo palestino e o povo israelita avançou mais, foi nos anos de 93/94,  quando o Partido Trabalhista Israelita (PTI) estava no poder, sob a liderança de Ytzhak Rabin.
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Embora o PTI não seja exatamente um partido de esquerda, soa como se fosse, perto do Likud, o partido conservador, de orientação ultra-direitista, do atual Premier Benjamin Natenyahu. O PTI é mais sensível às questões sociais e humanitária, menos truculento e mais favorável à paz ao contrário do Partido Likud, que defende com unhas e dentes o total domínio de Israel de todo o território palestino e não aceita o estabelecimento de um estado palestino já reconhecido até pela ONU.

Arafat, Peres e Rabin recebem Prêmio Nobel da Paz em 1994
Israel sob o governo trabalhista, avançou muito nas negociações com mediação internacional para o estalecimento da paz, chegando a reconhecer o estado palestino, sob a liderança da OLP e a convivência de ambos estados pautado no respeito mútuo. Do lado palestino havia também um grande líder, Yasser Arafat, que conseguiu convergir os interesses palestino para uma solução de paz com Israel.

A constatação de que a extrema direita de Israel não abre mão da sua posição hegemônica e a não existência de um estado palestino foi o assassinato de Itzhak Rabin por um próprio compatriota radial. O sonho de paz na Palestina que estava se concretizando, foi sepultado definitivamente.

domingo, 27 de julho de 2014

De Cegos e de Anões

Por MAURO SANTAYANA



Antes de criticar a diplomacia brasileira, o porta-voz da Chancelaria israelense, Yigal Palmor, deveria ler os livros de história para constatar que, se o Brasil fosse um país irrelevante, do ponto de vista diplomático, sua nação não existiria, já que o Brasil não apenas apoiou e coordenou como também presidiu, nas Nações Unidas, com Osvaldo Aranha, a criação do Estado de Israel.



(Jornal do Brasil) - Se não me engano, creio que foi em uma aldeia da Galícia que escutei, na década de 70, de camponês de baixíssima estatura, a história do cego e do anão que foram lançados, por um rei, dentro de um labirinto escuro e pejado de monstros. Apavorado, o cego, que não podia avançar sem a ajuda do outro, prometia-lhe sorte e fortuna, caso ficasse com ele, e, desesperado, começou a cantar árias para distraí-los do medo.

O anão, ao ver que o barulho feito pelo cego iria atrair inevitavelmente as criaturas, e que o cego, ao cantar cada vez mais alto, se negava a ouvi-lo, escalou, com ajuda das mãos pequenas e das fortes pernas, uma parede, e, caminhando por cima dos muros, chegou, com a ajuda da luz da Lua, ao limite do labirinto, de onde saltou para densa floresta, enquanto o cego, ao sentir que ele havia partido, o amaldiçoava em altos brados, sendo, por isso, rapidamente localizado e devorado pelos monstros que espreitavam do escuro.

Ao final do relato, na taverna galega, meu interlocutor virou-se para mim, tomou um gole de vinho e, depois de limpar a boca com o braço do casaco, pontificou, sorrindo, referindo-se à sua altura: como ve usted, compañero... con el perdón de Dios y de los ciegos, aun prefiero, mil veces, ser enano...

Lembrei-me do episódio — e da história — ao ler sobre a convocação do embaixador brasileiro em Telaviv para consultas, devido ao massacre em Gaza, e da resposta do governo israelense, qualificando o Brasil como irrelevante, do ponto de vista geopolítico, e acusando o nosso país de ser um “anão diplomático".
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Chamar o Brasil de anão diplomático, no momento em que nosso país acaba de receber a imensa maioria dos chefes de Estado da América Latina, e os líderes de três das maiores potências espaciais e atômicas do planeta, além do presidente do país mais avançado da África, nação com a qual Israel cooperava intimamente na época do Apartheid, mostra o grau de cegueira e de ignorância a que chegou Telaviv.