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domingo, 14 de outubro de 2018

O que é o fator D, que define egoísmo, rancor, psicopatia e outros traços obscuros da personalidade


O fator D é "a tendência geral a maximizar a utilidade individual sem levar em conta ou provocar de forma mal-intencionada a falta de utilidade para os outros, isso tudo acompanhado de crenças que servem como justificativas"
Essa tendência costuma vir acompanhada de desculpas ou justificativas que servem para evitar sentimentos de culpa ou vergonha.


Segundo um novo estudo, o fator D está presente nos traços mais obscuros da nossa personalidade. 

Há mais de 100 anos, Charles Spearman disse que a inteligência é composta pelo chamado fator G.Segundo a teoria do psicólogo inglês, o fator G explica por que é provável que as pessoas que tiram notas altas em um tipo específico de provas também se saiam bem em outros testes.

Um século depois, especialistas dizem que essa mesma tendência também pode ser usada para explicar a "malevolência" ou o "lado obscuro" das pessoas.

E também lhe deram um nome. Trata-se do "fator D".

Uma nova pesquisa conduzida por uma equipe de psicólogos da Alemanha e da Dinamarca sugere que características como egoísmo, rancor e sadismo têm um mesmo denominador comum.

Ainda que nos pareça mais normal que uma pessoa seja egoísta e não psicopata, o certo é que o estudo demonstra que todos os aspectos obscuros da personalidade humana estão relacionados e se baseiam numa mesma tendência.

Em outras palavras, se você tem um desses traços, é provável que desenvolva os outros.

Crianças brigando
Segundo o estudo, o egoísmo tem um denominador com outros traços de personalidade,
como o rancor e o narcisismo.

Isso significa, segundo os pesquisadores, que se uma pessoa exibe um comportamento maldoso específico (como o gosto por humilhar os outros), terá maior probabilidade de fazer outras coisas maldosas, como enganar, mentir ou roubar.

"Os traços obscuros têm muito mais em comum do que coisas que os diferenciam. O conhecimento sobre esse 'núcleo obscuro' pode ter um papel crucial para os terapeutas que trabalham com pessoas com essas características", disse Ingo Zettler, um dos pesquisadores e professor de psicologia na Universidade de Copenhage, na Dinamarca.

"Vemos isso, por exemplo, em casos de violência extrema, descumprimento de normas, mentiras. O conhecimento sobre o fator D de uma pessoa pode ser uma ferramenta útil para avaliar a probabilidade de que ela volte e cometer o ato ou faça coisas ainda mais graves", afirmou.

Colocar nossos objetivos em primeiro lugar

O fator D é "a tendência geral a maximizar a utilidade individual sem levar em conta ou provocar de forma mal-intencionada a falta de utilidade para os outros, isso tudo acompanhado de crenças que servem como justificativas", diz o relatório.

Dito de outro modo, o fator D é o hábito de colocar nossos próprios objetivos e interesses na frente dos de outras pessoas, sentindo até prazer pelo fato de fazer mal aos outros.

Essa tendência costuma vir acompanhada de desculpas ou justificativas que servem para evitar sentimentos de culpa ou vergonha.

Homem com máscaras
O fator D é o hábito de colocar nossos próprios objetivos e interesses na frente dos de outras
 pessoas, sentindo até prazer pelo fato de fazer mal aos outros.

No estudo, que acaba de ser publicado na revista Psychological Review, os pesquisadores perguntaram a mais de 2.500 pessoas até que ponto se mostravam de acordo com afirmações como "às vezes vale a pela sofrer um pouco para ver alguém sofrer o castigo que merece" e "sei que sou especial porque todos dizem isso."

Também perguntaram aos participantes sobre sua agressividade, impulsividade e comportamento egoísta ou pouco ético.

A pesquisa demonstra que os traços obscuros em geral podem ser compreendidos como exemplos de um núcleo comum, ainda que aspectos diferentes possam predominar. Por exemplo, o aspecto das justificativas é muito forte no narcisista, enquanto que o aspecto da falta de utilidade provocada maldosamente é a característica principal do sádico.

Mulher pede desculpas
O fator D também está presente no comportamento relacionado ao rancor.

Segundo os especialistas, sua pesquisa demonstra como o fator D está presente em nove traços obscuros de personalidade mais estudados:
  • Egoísmo: preocupação excessiva com as próprias vantagens à custa das dos outros.
  • Maquiavelismo: atitude manipuladora e insensível e a crença de que os fins justificam os meios.
  • Desconexão moral: estilo de processamento cognitivo que permite que as pessoas se comportem sem ética e sem sentir angústia.
  • Narcisismo: excessivo ensimesmamento e uma sensação de superioridade e extrema necessidade de receber atenção dos demais.
  • Direito psicológico: crença recorrente de que é melhor que os outros e merece um tratamento melhor.
  • Psicopatia: falta de empatia e autocontrole, combinadas com um comportamento impulsivo.
  • Sadismo: desejo de causar dano mental ou físico a outra pessoa para seu próprio prazer ou para se beneficiar.
  • Interesse próprio: desejo de promover e ressaltar seu próprio status social e financeiro.
  • Rancor: disposição para causar danos ou destruir outras pessoas, mesmo se machucar a si mesmo no processo.
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A DITADURA NÃO ACABOU


Carlos Alexandre Azevedo, 37 anos,
torturado quando era bebê.

Carlos Alexandre, suicidou-se em 16/02/2013, aos 40 anos de idade.  Ele foi preso e torturado quando era apenas um bebe, com 1 ano e 8 meses de idade, usado como instrumento de pressão contra os país.


“Não sou feliz. Sinto vergonha de não trabalhar. Também gostaria de ter uma família minha, com mulher e filhos. Mas tenho consciência de que devo dar um passo de cada vez. Talvez, com um pouco de sorte, eu consiga recomeçar. Mesmo estando com 37 anos.” (Carlos Alexandre)

Como efeito retardado causado pela radiação de um bomba nuclear, as atrocidades de uma Ditadura Militar arrasa vidas de imediato, mas também,  permanece fazendo vítimas e causando sofrimento por décadas.   É mais um exemplo da mediocridade humana.

A seguir matéria elaborada por Solange Azevedo, para a Revista Isto é, publicada na edição número 2099, em 29 de janeiro de 2010.

A DITADURA NÃO ACABOU

Filho de militantes de esquerda, Carlos Alexandre foi preso e torturado quando era bebê. Cresceu agressivo e isolado. Aos 37 anos, ele ainda sente os efeitos dos anos de chumbo: vive recluso, sem trabalho nem amigos - sofre de fobia social

Solange Azevedo


No vídeo abaixo você confere os depoimentos de Dermi Azevedo, 
pai de Carlos Alexandre



Ele tem olhos de aflição e feições de dor. Suas palavras saem cadenciadas, são quase sussurros. “Minha família nunca conseguiu se recuperar totalmente dos abusos sofridos durante a ditadura”, diz. “Os meus pais foram presos e eu fui usado para pressioná-los.” Carlos Alexandre Azevedo tinha 1 ano e 8 meses quando policiais invadiram a casa da família, na zona sul de São Paulo, e o levaram para a sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops). Era 15 de janeiro de 1974. Bem armados e truculentos, os agentes da repressão o encontraram na companhia da babá – uma moça de origem nordestina conhecida como Joana. Chegaram dando ordens. Exigiram que os dois permanecessem imóveis no sofá. Apenas Joana obedeceu. Como castigo pelo choro persistente, Carlos Alexandre levou uma bofetada tão forte que acabou com os lábios cortados. Foram mais de 15 horas de agonia. O drama de Carlos Alexandre – um dos mais surpreendentes dos anos de chumbo – veio à tona no momento em que o governo brasileiro discute a criação da Comissão Nacional da Verdade para apurar casos de tortura, sequestros, desaparecimentos e violações de direitos humanos durante a ditadura militar (1964-1985). Carlos Alexandre decidiu revelar sua história, com exclusividade, à ISTOÉ depois que o seu processo de anistia foi julgado pelo Ministério da Justiça. No dia 13 de janeiro, ele foi declarado “anistiado político”. Deve receber uma indenização de R$ 100 mil por ter sido vítima dos militares. “Muita gente ainda acha que não houve ditadura nem tortura no Brasil. No julgamento, em Brasília, me senti compreendido.