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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O incrível e o inacreditável


Por Luis Fernando Verissimo - O Estado de S.Paulo


"Incrível" e "inacreditável" querem dizer a mesma coisa - e não querem.   "Incrível" é elogio. Você acha incrível o que é difícil de acreditar de tão bom.   Já inacreditável é o que você se recusa a acreditar de tão nefasto, nefário e nefando - a linha média do Execrável Futebol Clube.


Incrível é qualquer demonstração de um talento superior, seja o daquela moça por quem ninguém dá nada e abre a boca e canta como um anjo, o do mirrado reserva que entra em campo e sai driblando tudo, inclusive a bandeirinha do corner, o do mágico que tira moedas do nariz e transforma lenços em pombas brancas, o do escritor que torneia frases como se as esculpisse.

Inacreditável seria o Jair Bolsonaro na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara em substituição ao Feliciano, uma ilustração viva da frase "ir de mal a pior".

Incrível é a graça da neta que sai dançando ao som da Bachiana n.º 5 do Villa-Lobos como se não tivesse só cinco anos, é o ator que nos toca e a atriz que nos faz rir ou chorar só com um jeito da boca, é o quadro que encanta e o pôr do sol que enleva.

Inacreditável é, depois de dois mil anos de civilização cristã, existir gente que ama seus filhos e seus cachorros e se emociona com a novela e, mesmo assim, defende o vigilantismo brutal, como se fazer justiça fosse enfrentar a barbárie com a barbárie, e salvar uma sociedade fosse embrutecê-la até a autodestruição.
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Incrível, realmente incrível, é o brasileiro que leva uma vida decente mesmo que tudo à sua volta o chame para o desespero e a desforra.

Inacreditável é que a reação mais forte à vinda de médicos estrangeiros para suprir a falta de atendimento no interior do Brasil, e a exploração da questão dos cubanos insatisfeitos para sabotar o programa, venha justamente de associações médicas.

Incrível é um solo do Yamandu.

Inacreditável é este verão.




domingo, 18 de agosto de 2013

Veríssimo: Volta de Lula seria um erro

Por PAULO FRANCO

O governo FHC, para Veríssimo, atrasou o país, adotando uma politica neo-liberal, com um programa exagerado de privatizações e até entreguismo.  O governo do PT mesmo sendo melhor do que o governo do PSDB, também decepcionou com o Mensalão e as concessões feitas à direita conservadora.



Video com a entrevista no final do artigo
O jornalista Kennedy Alencar, âncora do programa "É notícia" da Rede TV, entrevistou o escritor Luis Fernando Veríssimo, numa linda biblioteca herdada do pai, o também escritor Érico Veríssimo. A entrevista foi levada ao ao no dia 12 de agosto último.

Veríssimo fala sobre sua história, sua formação intelectual, musical, política e profissional.  Fala também sobre a influência de seu pai, que segundo ele mesmo era uma socialista democrático.

No campo da política eu destaquei algumas colocações de Verissimo que considerei relevante para entender não só sua opinião sobre o que vem acontecendo no país nestes últimos tempos, bem como sua visão e seu entendimento quanto às soluções políticas, sociais e econômicos para a sociedade.
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Para o escritor, não estão claramente definindas, ainda, o rumo que as manifestações de rua estão tomando, do ponto de vista político e ideológico.  O lamentável, segundo ele, seria a repetição de um golpe de estado, e a volta de um governo totalitário, aproveitando-se da cobrança da falta de ética e dignidade dos políticos.

O forte avanço da distribuição de renda que ocorreu ao longo desses últimos 10 anos, com a migração dos mais de 30 milhões de brasileiros, para classes superiores, não foi acompanhada de uma melhora, no mesmo nível, dos serviços públicos.  Essas pessoas estão, então, cobrando dos governos essa paridade.