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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A DITADURA NÃO ACABOU


Carlos Alexandre Azevedo, 37 anos,
torturado quando era bebê.

Carlos Alexandre, suicidou-se em 16/02/2013, aos 40 anos de idade.  Ele foi preso e torturado quando era apenas um bebe, com 1 ano e 8 meses de idade, usado como instrumento de pressão contra os país.


“Não sou feliz. Sinto vergonha de não trabalhar. Também gostaria de ter uma família minha, com mulher e filhos. Mas tenho consciência de que devo dar um passo de cada vez. Talvez, com um pouco de sorte, eu consiga recomeçar. Mesmo estando com 37 anos.” (Carlos Alexandre)

Como efeito retardado causado pela radiação de um bomba nuclear, as atrocidades de uma Ditadura Militar arrasa vidas de imediato, mas também,  permanece fazendo vítimas e causando sofrimento por décadas.   É mais um exemplo da mediocridade humana.

A seguir matéria elaborada por Solange Azevedo, para a Revista Isto é, publicada na edição número 2099, em 29 de janeiro de 2010.

A DITADURA NÃO ACABOU

Filho de militantes de esquerda, Carlos Alexandre foi preso e torturado quando era bebê. Cresceu agressivo e isolado. Aos 37 anos, ele ainda sente os efeitos dos anos de chumbo: vive recluso, sem trabalho nem amigos - sofre de fobia social

Solange Azevedo


No vídeo abaixo você confere os depoimentos de Dermi Azevedo, 
pai de Carlos Alexandre



Ele tem olhos de aflição e feições de dor. Suas palavras saem cadenciadas, são quase sussurros. “Minha família nunca conseguiu se recuperar totalmente dos abusos sofridos durante a ditadura”, diz. “Os meus pais foram presos e eu fui usado para pressioná-los.” Carlos Alexandre Azevedo tinha 1 ano e 8 meses quando policiais invadiram a casa da família, na zona sul de São Paulo, e o levaram para a sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops). Era 15 de janeiro de 1974. Bem armados e truculentos, os agentes da repressão o encontraram na companhia da babá – uma moça de origem nordestina conhecida como Joana. Chegaram dando ordens. Exigiram que os dois permanecessem imóveis no sofá. Apenas Joana obedeceu. Como castigo pelo choro persistente, Carlos Alexandre levou uma bofetada tão forte que acabou com os lábios cortados. Foram mais de 15 horas de agonia. O drama de Carlos Alexandre – um dos mais surpreendentes dos anos de chumbo – veio à tona no momento em que o governo brasileiro discute a criação da Comissão Nacional da Verdade para apurar casos de tortura, sequestros, desaparecimentos e violações de direitos humanos durante a ditadura militar (1964-1985). Carlos Alexandre decidiu revelar sua história, com exclusividade, à ISTOÉ depois que o seu processo de anistia foi julgado pelo Ministério da Justiça. No dia 13 de janeiro, ele foi declarado “anistiado político”. Deve receber uma indenização de R$ 100 mil por ter sido vítima dos militares. “Muita gente ainda acha que não houve ditadura nem tortura no Brasil. No julgamento, em Brasília, me senti compreendido.