BOAS VINDAS

A idéia deste blog é a criação de um espaço para o questionamento de duas grandes forças das ideologias atuais: o Capitalismo e o Socialismo. Que, senão são coincidentes,não são também totalmente opostas. Terceira Via é nada menos do que uma Resultante dessas duas forças. Abrindo assim, um campo para o existência de uma opção, que não é uma coisa nem outra e ao mesmo tempo são as duas coisas. Eu acredito muito nessa vertente, como alternativa para convergir anseios de ambas as correntes. Num olhar metodológico, poderiamos enxergar essa possibilidade como uma demonstração empírica da dialética. Enquanto o Capitalismo está mais associado ao racional, à eficiência, à lógica; o Socialismo está mais associado ao nosso cognitivo, à sensibilidade, sentimentos, percepções, etc. Acredito ainda, que só a Democracia viabiliza essa vertente. A Ditadura, sem dúvida, enviesará para o socialismo ou para o capitalismo radical. ENTÃO SEJA BEM VINDO, COLOCANDO SUA CONTRIBUIÇÕES, SUAS IDÉIAS, SUAS DÚVIDAS, ETC. (Paulo Franco)

quarta-feira, 29 de abril de 2015

PIB dos EUA despenca e assusta analistas

Por Paulo Franco



 Se 0,2% de crescimento do PIB do 1o. Trim já assustou os analistas americanos, imaginem a revisão que foi divulgada hoje, uma redução de 0,7%. 


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Atualização em 01/06/2015

Se 0,2% de crescimento do PIB do 1o. Trim já assustou os analistas americanos, imaginem a revisão que foi divulgada hoje, uma redução de 0,7%. 

Este poste foi publicado em em função da surpresa causada pela divergência entre as previsões do resultado do PIB do primeiro trimestre dos EUA. 

A previsão em outubro/novembro de 2014 era de 3% e no inicio do ano as previsões (consenso de mercado) foi reduzindo-se violentamente, chagando-se na data da divulgação a 1,25%, mas o número real divulgado foi de apenas 0,2%. 

Não é só o governo brasileiro e nem os bancos que participam do sistema focus que erram suas previsões.  Isso ocorrer no mercado mais desenvolvido do mundo também. 

Mas a revisão divulgada hoje mostrou que na verdade o PIB encolheu nos EUA.   A variação foi de -0,7%, ou seja,  um erro de estimativa astronômico.  Esperar 3% de crescimento e uma redução de 0,7% é realmente espantoso. 

O mais importante ainda é a tomada de consciência pelos analistas de mercado, economistas, investidores e políticos que no cenário econômico global o que impera é a incerteza.   Parece que o mundo vai continuar convivendo com o fantasma da crise global por mais tempo.
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US Economy Grinds To A Halt, Again: Q1 GDP Tumbles Below Expectations, Rises Paltry 0.2%




A mídia no Brasil tende a minimizar os problemas lá fora, principalmente nos EUA e maximizar os problemas no Brasil, deixando a sociedade não só desinformada, mas com uma visão distorcida da realidade.

O PIB dos EUA vem desacelerando a partir do 3o. trimestre do ano passado (3o.T14 5%, 4o.T14 2,2%) crescendo em termos anualizados apenas 0,2%.

Esse número frustrou todas as expectativas, incluindo Wall Street, cujo consenso seria de uma queda para 1% e não para 0,2%. 
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Essa notícia me fez recordar o diálogo entre Dilma Rousseff e Miriam Leitão numa sabatina horrorosa em pleno período pré eleitoral no ano passado.  Miriam foi deselegante e até agressiva demonstrando uma rigidez. "São os dados, Presidenta." disse Miriam,  sobre o cenário internacional e particularmente a Alemanha  Naquela oportunidade Miriam dizia que o Mundo estava em processo de recuperação e o Brasil na contramão. Dilma pacientemente mostrou explicou a ela que a economia global estava se desacelerando, inclusive a Chanceler da Alemanha Angela Merkel havia manifestado preocupação pessoalmente à Dilma, com a situação de seu pais e as perspectivas era de uma leve recessão.

O desempenho ruim da economia americana impacta a economia brasileira com 2 vetores que têm sentidos opostos. Do lado da economia real, os EUA está sinalizando uma fraqueza da atividade econômica no mundo, o que pode dificultar as exportações, a balança comercial e os resultados de empresas que tem um dependência de receitas externas.

De outro lado, o arrefecimento da economia americana, aumenta a probabilidade do adiamento do aumento dos juros nos EUA e também a magnitude e intervalos dos aumentos. Com isso diminui por aqui, a pressão sobre nossa moeda (todas as moedas do mundo, na verdade) o que por decorrência pressionaria a inflação.  Outro aspecto positivo é a diminuição do risco  de fuga de capitais do país, sangrando nossas reservas.
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Fonte do gráfico: Infinite Unknown

segunda-feira, 27 de abril de 2015

CNBB, por nota, se posiciona sobre o momento delicado do País



  • O Ódio, o Revanchismo e o Risco do Retrocesso

  • O Risco do Mais Pobre Pagar pelos Ajustes 

  • A Corrupção e o Corporativismo dos Políticos

  • A Precarização dos Direitos Trabalhistas com a Terceirização

  • O Golpe nos Indígenas com a PEC 215

  • O Equívoco da Redução da Maioridade Penal com a PEC 171

  • A Reforma Política como um dos Caminhos para os Problemas do País


 



Os bispos reunidos na 53ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada de 15 a 24 de abril, em Aparecida (SP), avaliaram a realidade brasileira, “marcada pela profunda e prolongada crise que ameaça conquistas, a partir da Constituição Cidadã de 1988, e coloca em risco a ordem democrática do País”. Leia, na íntegra, a nota:


Nota da CNBB sobre o momento nacional



“Entre vós não deve ser assim” (Mc 10,43).


 A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida em sua 53ª Assembleia Geral, em Aparecida-SP, no período de 15 a 24 de abril de 2015, avaliou, com apreensão, a realidade brasileira, marcada pela profunda e prolongada crise que ameaça as conquistas, a partir da Constituição Cidadã de 1988, e coloca em risco a ordem democrática do País. Desta avaliação nasce nossa palavra de pastores convictos de que “ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos” (EG, 183). 
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O momento não é para acirramento de ânimos,  revanchismo, ódio que coloque em risco as conquistas da Constituição Cidadã de 1988


O momento não é de acirrar ânimos, nem de assumir posições revanchistas ou de ódio que desconsiderem a política como defesa e promoção do bem comum. Os três poderes da República, com a autonomia que lhes é própria, têm o dever irrenunciável do diálogo aberto, franco, verdadeiro, na busca de uma solução que devolva aos brasileiros a certeza de superação da crise. 

Os ajustes presisa ser feito sem trazer prejuízo à população, aos trabalhadores e, principalmente, aos mais pobres


A retomada de crescimento do País, uma das condições para vencer a crise, precisa ser feita sem trazer prejuízo à população, aos trabalhadores e, principalmente, aos mais pobres. Projetos, como os que são implantados na Amazônia, afrontam sua população, por não ouvi-la e por favorecer o desmatamento e a degradação do meio ambiente.

A lei que permite a terceirização do trabalho, em tramitação no Congresso Nacional, não pode, em hipótese alguma, restringir os direitos dos trabalhadores. É inadmissível que a preservação dos direitos sociais venha a ser sacrificada para justificar a superação da crise.

A recuperação da credibilidade política, perdida por causa da corrupção não pode ser feita às custas dos mais pobres, dos mais vulneráveis


A corrupção, praga da sociedade e pecado grave que brada aos céus (cf. Papa Francisco – O Rosto da Misericórdia, n. 19), está presente tanto em órgãos públicos quanto em instituições da sociedade. Combatê-la, de modo eficaz, com a consequente punição de corrompidos e corruptores, é dever do Estado. É imperativo recuperar uma cultura que prima pelos valores da honestidade e da retidão. Só assim se restaurará a justiça e se plantará, novamente, no coração do povo, a esperança de novos tempos, calcados na ética.

A credibilidade política, perdida por causa da corrupção e da prática interesseira com que grande parte dos políticos exerce seu mandato, não pode ser recuperada ao preço da aprovação de leis que retiram direitos dos mais vulneráveis. Lamentamos que no Congresso se formem bancadas que reforçem o corporativismo para defender interesses de segmentos que se opõem aos direitos e conquistas sociais já adquiridos pelos mais pobres.

A PEC 215 é uma afronta à luta histórica dos povos indígenas

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000, por exemplo, é uma afronta à luta histórica dos povos indígenas que até hoje não receberam reparação das injustiças que sofreram desde a colonização do Brasil. Se o prazo estabelecido pela Constituição de 1988 tivesse sido cumprido pelo Governo Federal, todas as terras indígenas já teriam sido reconhecidas, demarcadas e homologadas. E, assim, não estaríamos assistindo aos constantes conflitos e mortes de indígenas.

 A PEC 171 (Redução da Maioridade Penal) é um equívoco.  A solução é investir em educação, políticas públicas para a juventude e para a família

A PEC 171/1993, que propõe a redução da maioridade penal para 16 anos, já aprovada pela Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça da Câmara, também é um equívoco que precisa ser desfeito. A redução da maioridade penal não é solução para a violência que grassa no Brasil e reforça a política de encarceramento num país que já tem a quarta população carcerária do mundo. Investir em educação de qualidade e em políticas públicas para a juventude e para a família é meio eficaz para preservar os adolescentes da delinquência e da violência.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, em vigor há 25 anos, responsabiliza o adolescente, a partir dos 12 anos, por qualquer ato contra a lei, aplicando-lhe as medidas socioeducativas. Não procede, portanto, a alegada impunidade para adolescentes infratores. Onde essas medidas são corretamente aplicadas, o índice de reincidência do adolescente infrator é muito baixo. Ao invés de aprovarem a redução da maioridade penal, os parlamentares deveriam criar mecanismos que responsabilizem os gestores por não aparelharem seu governo para a correta aplicação das medidas socioeducativas. 

O PL 3722 que altera o Estatuto do Desarmamento é outra matéria que vai na contramão da Segurança e do combate à violância


O Projeto de Lei 3722/2012, que altera o Estatuto do Desarmamento, é outra matéria que vai na contramão da segurança e do combate à violência. A arma dá a falsa sensação de segurança e de proteção. Não podemos cair na ilusão de que, facilitando o acesso da população à posse de armas, combateremos a violência. A indústria das armas está a serviço de um vigoroso poder econômico que não pode ser alimentado à custa da vida das pessoas. Dizer não a esse poder econômico é dever ético dos responsáveis pela preservação do Estatuto do Desarmamento. 

A Reforma Política, da qual a CNBB é signatária,  é uma dos caminhos para solução de muitos problemas que afligem o pais.

Muitas destas e de outras matérias que incidem diretamente na vida do povo têm, entre seus caminhos de solução, uma Reforma Política que atinja as entranhas do sistema político brasileiro. Apartidária, a proposta da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, da qual a CNBB é signatária, se coloca nessa direção.

Urge, além disso, resgatar a ética pública que diz respeito “à responsabilização do cidadão, dos grupos ou instituições da sociedade pelo bem comum” (CNBB – Doc. 50, n. 129). Para tanto, “como pastores, reafirmamos ‘Cristo, medida de nossa conduta moral’ e sentido pleno de nossa vida” (Doc. 50 da CNBB, Anexo – p. 30).

Que o povo brasileiro, neste Ano da Paz e sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, supere esse momento difícil e persevere no caminho da justiça e da paz.


Aparecida, 21 de abril de 2015.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB
Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB







domingo, 26 de abril de 2015

Jornalismo: A profecia que devora o profeta

Por Luciano Martins Costa




"a imprensa tradicional tem se dedicado, ano após ano, a convencer o leitor de que a economia brasileira está no caminho errado. Quando o anunciante, diante de tanto pessimismo, resolve poupar seu dinheiro, cumpre-se a profecia".




Jornalistas que foram demitidos da Folha de S. Paulo fazem circular uma carta do jornal, assinada pelo editor-executivo Sérgio Dávila, justificando os cortes ocorridos na semana passada. Como se sabe, o diário paulista vem reduzindo sua força de trabalho desde janeiro. O Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo considera que se trata de uma tática para evitar que se configure uma demissão em massa, caso em que as entidades sindicais precisam ser avisadas com no mínimo 30 dias de antecedência.

Na linguagem peculiar dos momentos de crise, o texto começa assim: “A Folha realizou nos últimos dias ajustes em sua equipe. A redução é efeito da crise econômica que afeta o país e atinge a publicidade”.

Esse é o ponto central a ser discutido neste espaço, mas há outras questões levantadas na mensagem que merecem atenção. Por exemplo, informa-se que equipes serão reagrupadas e outras mudanças deverão ser anunciadas. O executivo chama o adensamento de grupos editoriais menores em equipes maiores – caso de Ciência e Saúde, que se agrega ao caderno Cotidiano – de “mudanças morfológicas”. 

O jornal promete que essas futuras movimentações “não envolverão novos ajustes” – expressão que ameniza a dureza das demissões. O objetivo, afirma, “é tornar o jornal mais eficiente para atender as demandas do leitor bem como otimizar o funcionamento da redação”.

O comunicado assegura que a Folha “continua líder em seu segmento, seja em circulação, audiência ou fatia publicitária, faz parte de uma empresa sem dívidas, que integra o segundo maior grupo de mídia do país, e preserva sua capacidade de investimentos editoriais”. Portanto, é de se concluir que se trata de dificuldades circunstanciais.

Na lógica do negócio, quem paga pela circunstância desfavorável é sempre o jornalista, não o executivo que errou na estratégia ou na gestão da empresa. No caso das empresas jornalísticas, pode-se afirmar que um dos elementos mais interessantes desse jogo é o fato de que a imprensa tradicional tem se dedicado, ano após ano, a convencer o leitor de que a economia brasileira está no caminho errado. Quando o anunciante, diante de tanto pessimismo, resolve poupar seu dinheiro, cumpre-se a profecia.

O viés negativo


Há sempre mais de uma maneira de dar uma notícia, como se diz na velha anedota sobre o gato que subiu no telhado. Por exemplo, se o leitor procurar o mesmo assunto em duas fontes distintas, poderá encontrar duas versões diferentes do mesmo fato, apesar da grande homogeneidade que se observa nos principais veículos de comunicação do Brasil. No caso do noticiário econômico, predomina um viés negativo, mas mesmo nesse contexto pode-se fazer interpretações variadas.

Vejamos, seletivamente, como os principais diários de circulação nacional abordam nas edições de sexta-feira (24/4) um mesmo assunto: o índice de emprego. 
  • O Globo coloca o tema no rodapé da notícia sobre o projeto de terceirização, com o seguinte subtítulo: “País volta a gerar empregos formais”. 
  • O Estado de S. Paulo traz reportagem de tamanho médio, na parte inferior de uma página onde o destaque é também a terceirização. Diz o título: “Economia brasileira cria 19 mil vagas de emprego em março”.
  • Observe-se, agora, como a Folha de S. Paulo trata os mesmos indicadores. No alto da página, com dois infográficos que mostram a queda da oferta de empregos no trimestre e a recuperação ocorrida no mês de março, o leitor se depara com o título: “Emprego formal tem pior 1º trimestre desde 2002”.
  • Em termos de comparação, leia-se que o especialista Valor Econômico publica o seguinte título: “Mesmo com março melhor, emprego é negativo no 1º trimestre” – e a reportagem, mais equilibrada, registra uma diversidade maior de interpretações de analistas e autoridades.


Não se está aqui a dizer que a imprensa deve sempre procurar o lado mais otimista dos acontecimentos, porque uma de suas funções é manter a sociedade alerta tanto para oportunidades como para riscos ao seu bem-estar. O que, sim, se pode conjecturar, é que tem razão o ministro do Trabalho, citado nas reportagens, quando afirma que o discurso de que o país está em crise, repetido desde a campanha eleitoral do ano passado, afeta a criação de empregos.

Se o leitor tiver acesso aos três diários de circulação nacional, mais o Valor Econômico, vai entender o seguinte: 
  • a oferta de empregos caiu no terceiro trimestre mas se recuperou em março; 
  • os contratos para grandes obras estão sendo retomados, o que pode conter os cortes na construção civil; 
  • a publicação do balanço da Petrobras é vista pelo mercado com otimismo; 
  • o setor de serviços segue em pleno crescimento.

Nas redações, as profecias catastrofistas devoram os profetas.
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LUCIANO MARTINS COSTA

O programa Observatório da Imprensa no Rádio é apresentado por Luciano Martins Costa. É transmitidode segunda a sexta-feira pelas emissoras abaixo.
          • Rio de Janeiro
        Rádio MEC FM (98,9mHz) – 18h
        Rádio MEC AM (800kHz) – 12h30 

          • Brasília
        Rádio Nacional FM (96,1mHz) – 12h30
        Rádio Nacional AM (980kHz) – 12h30 
          • Belo Horizonte
                                                 Rádio Inconfidência AM (880kHz) – entre 12h e 14h 
          • Joinville
                                                 Rádio Joinville Cultural FM (105,1mHz) – 14h

sexta-feira, 24 de abril de 2015

NBA en Cuba: El Salto Inicial

Por Abraham Himenez Enda




A Cuba llegó “Baloncesto sin fronteras”, un programa de desarrollo deportivo que la entidad norteña implementa en más de 220 naciones.

“Si el programa lo desarrollábamos en países más lejanos, por qué en Cuba no. Esto es un hecho histórico. Hemos abierto un puente entre Cuba y Estados Unidos." (Dikembe Mutombo)




Foto: Yaniel Tolentino












En su primer día en La Habana, la NBA no reposó. Todo ha sido ajetreo. Aterrizaron bien temprano en la mañana y salieron al ruedo. Solo hubo descanso para soltar las maletas, luego, todo fue básquet.

Del aeropuerto al hotel, del hotel a la Universidad de la Cultura Física y el Deporte “Manuel Fajardo”. Un maratón incesante, jornada de largo aliento. A Cuba llegó “Baloncesto sin fronteras”, un programa de desarrollo deportivo que la entidad norteña implementa en más de 220 naciones.

“Si el programa lo desarrollábamos en países más lejanos, por qué en Cuba no. Esto es un hecho histórico. Hemos abierto un puente entre Cuba y Estados Unidos. No se puede dejar de agradecer a todos los que hicieron posible que este programa se concretara”, expresó Dikembe Mutombo en conferencia de prensa. Ruperto Herrera, presidente de la Federación Cubana de Baloncesto, orgulloso de la prestigiosa visita, sentenció: “estamos llevando adelante una valiosa idea, un acontecimiento que sin dudas va a potenciar nuestro deporte”.

Por su parte, Alberto Andrés García, director regional de la Federación Internacional de Baloncesto, argumentó que “esperemos que este sea el salto inicial, hay que agradecer el esfuerzo que están haciendo los gobiernos de ambos países, con ese gesto, muchos serán los frutos que recogerán sus ciudadanos”.
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En cambio, Steve Nash se dedicó en la conferencia de prensa a valorar el nivel del básquet cubano y su posible progreso: “Cuba siempre ha producido reconocidos atletas a lo largo de la historia y estas clínicas van a ayudar a fortalecer el baloncesto”. En ese sentido, Mutombo también estimó que “los jugadores cubanos solo necesitan exponerse, cuando puedan mostrarse se integrarán a la élite, así como han hecho en otros deportes como el béisbol”.

Terminando la rueda, se conoció que a lo largo de estos días, serán seleccionados dos jugadores de la isla para participar en un campamento de desarrollo que implementarán en los próximos meses la NBA en República Dominicana.

NBA EN ACCIÓN



Al finalizar la conferencia de prensa entrenadores y ex extrellas se dirigieron hacia el tabloncillo de “La Mariposa” del Fajardo. A grada llena comenzó la acción. La expedición NBA tomó el centro, las esquinas, colocaron en la cancha varias cajas con balones Spaldings y lanzaron las primeras instrucciones.



Jasiel Rivero, en la actualidad es el
   mejor basquetbolista de Cuba
El “go, go” no paró. De un lado hacia otro, esférica por medio. Nash mostró su tiro certero, su clase para driblear y pasarse el balón entre las piernas sin mirarse las pantorrillas. Ticha se embulló a lanzar un par de veces desde la línea de a tres. Después, solo se dedicó a corregir los movimientos en la pintura de las jugadoras de la selección nacional. Mutumbo, se tardó un tanto. A su entrada, las miradas fueron todas suyas. Sus ya lentos movimientos no dejaron de levantar suspiros entre los presentes.

“No podemos pedir más, en estos jugadores está reunida una calidad extraordinaria, ellos marcaron una pauta en el básquet mundial, recibir sus consejos nos va a marcar”, comentó Yaima Boulet, jugadora que asiste a la clínica. En tanto, Jasiel Rivero, el mejor basquetbolista cubano de la actualidad, comentó: “Son estrellas de la NBA, nunca pensé que fuera a recibir sus consejos. Este es un paso grande que ha dado este deporte en Cuba”.

 

EN PRIMER PLANO


 

STEVE NASH:


El rubio Nash casi no habla, solo lo necesario. Eso sí, ríe casi siempre. Es un tipo extremadamente carismático que usa las palabras justas en cada frase. Su inglés es comprensible hasta para mi. Que qué fue lo que más me impresionó cuando tomó la Spalding en sus manos: su capacidad para levantarse, mirar al aro con su cuerpo encorvado, flotar en el aire y soltar sus dedos como un resorte.

Me dice Nash: “Espero aprender mucho. Sinceramente me complace poder estar aquí en el campamento con los muchachos, pero realmente quisiera más bien aprender de sus experiencias, su cultura, conocer más de esta hermosa isla y su historia”.

Sobre la primera clínica, añade: “Creo que hay mucho potencial. Pienso que lo más importante es establecer un sistema que se ajuste a otros sistemas del mundo; que los jugadores se expongan más a concepciones diferentes y a modos de entrenamiento y crecimiento atlético diferentes. Los jugadores cubanos van a crecer porque las condiciones físicas las tienen”.

Antes de dejarme, Nash me habla sobre los Miami Heat, sobre el desplante de la franquicia al programa de desarrollo: “Entiendo que es una situación difícil. Miami es el lugar de residencia de una gran parte de la comunidad cubana en Estados Unidos. Sabemos que han tenido una historia complicada. Es algo que esperamos que pueda superarse dentro de una o dos generaciones… pero ahora mismo nosotros estamos aquí simplemente para tratar de compartir tanto como sea posible en este campamento con estos jóvenes. No estoy aquí para hacer otra cosa que no sea ayudarles lo más que pueda y aprender más sobre esta isla maravillosa.”

Dikembe Mutombo:


Dikembe Motombo
Para hablar con Mutombo hay que empinar la nuca y levantar la vista. Es incómodo para los que no somos de su talla. Para todos. Mide 2,18 metros de estatura. Su inglés, a diferencia del de Nash, es tropeloso. Su pronunciación nos recuerda que nació en el Congo. Fuera de eso, todo lo demás es gracioso. No todos los días uno se encuentra con un gigante que te saca medio cuerpo y te aprieta como si fuera un socio cercano, como si te conociera de años y que antes de marcharse y darte la espalda, te guiña el ojo.

“Estoy contento con el nivel de competencia y con las habilidades que estas muchachas han mostrado. Esta generación de atletas va a reemplazarnos. Son mucho más talentosos, mucho más desarrollados. Entienden enseguida lo que estás explicándoles, les muestras cómo hacer algo y son capaces de seguir instrucciones de solo ver un movimiento una vez. Estoy muy complacido”.

De Cuba expresa: “Soy del Congo, así que me siento como en casa. Soy de un país tropical, y estar aquí me recuerda mis años de juventud en mi país de origen”.



Ticha Penicheiro:



Alo lejos Ticha parece anglosajona, pero es portuguesa. Habla español con z. Se le ve que aún está en forma, que se mantiene. En la década del noventa jugó contra Cuba. Dice que estaba “loca por venir a la isla”. Es la que menos se mueve en la cancha de todos los que dan instrucciones, después me dice que le ha encantado la comida “de aquí”. Debe estar llena del arroz congrí y la carne de puerco del almuerzo.

“Queremos trasmitir la pasión del básquet a todos los cubanos, la historia de Steve, Dikembe y la mía, nuestra experiencia, queremos que los niños y la gente sueñen con este deporte”.

De lo poco que ha visto en cancha de las jugadoras cubanas me dice que “tienen que tener un poquito más de ganas. Cuando yo jugaba nunca quería parar, estas muchachas se ven cansadas, aunque atléticamente tienen todo, ahora habrá que trabajar para continuar desarrollando las habilidades”.
 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Lucro efetivo da Petrobrás surpreende e cresce 24%


Por Paulo Franco



  • A Receita Líquida foi de 337,3 bi, contra 304,9 bi em 2013 (+11%)

  • O Lucro Bruto foi de 80,4 bi contra 70 bi em 2013 (+15%)

  • O Lucro Líquido foi de 29,2 contra 23,6 bi em 2013 (+24%)














A divulgação do balanço da Petrobras passou a ser um dos fatos mais emblemáticos e importantes que aconteceu nestes últimos tempos, não só para o Brasil e para o exterior também.

Essa divulgação tem sido aguardada com muita expectativas pois diversos os segmentos da sociedades que são impactados pela empresa, seu comportamento, seu desempenho e suas decisões estratégicas. Destaca-se aí o mercado de ações e de crédito, o mercado de mão de obra, as empresas fornecedoras de equipamentos e matéria primas, as reservas de óleo e gas, sua exploração e distribuição dos derivados, o mercado internacional, os grandes players e outros tantos segmentos.
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As demonstrações foram divulgadas hoje, mas embora eu não tenha os números nos detalhes necessários para se fazer uma análise mais rigorosa, resolvi fazer algumas considerações, que considero extremamente importantes, embora com ainda não conclusivos. Qualquer Contador sabe que os ajustes efetuados não se referem especificamente ao ano de 2014. As empresas utilizam-se do regime de competência, onde receitas e despesas são contabilizadas conforme a sua efetiva utilização e não ao registro da operação ou do pagamento ou recebimento. 

Portanto é totalmente fora de propósito, qualquer afirmação de que o lucro de 2014 caiu X% em relação a 2013 e também que o lucro de 2014 foi o menor desde 1991, ou qualquer outra comparação dessa natureza. 

Esses ajustes referem-se ao período de 2004 até 2014. Mas o regime de competência não é aplicado para o passado, mas tão somente para o futuro, portanto o lançamento tem que ser feito, independentemente de sabermos que, efetivamente, esses números não são reais, portanto incoerente a comparação sem uma adequação anual. 

Usando um critério simples utilizados para análise que é a eliminação dos ajustes, para que os números sejam coerentes com os demais anteriores, e assim identificarmos qual foi o desempenho, de fato, da empresa nas suas operações normais. 

Embora não tenhamos ainda os números contáveis nos detalhes necessários, algumas conclusões já podemos tirar. Os ajustes foram 6,2 bi da corrupção e 44,6 bi de reavaliação dos ativos, que soma 50,8 bi.

  • A Receita Líquida foi de 337,3 bi, contra 304,9 bi em 2013 (+11%)
  • O Lucro Bruto foi de 80,4 bi contra 70 bi em 2013 (+15%)
  • O Lucro Líquido foi de 29,2 contra 23,6 bi em 2013 (+24%) 

O Lucro de 29,2 bi conseguidos em 2014 foram reduzidos a um prejuizo de 21,6 bi, devido à dedução dos 50,8 bi já citados acima. 

Amanhã, dia 23 quinta-feira, os mercados refletirão os números divulgados nos preços dos papeis.  O dia promete ser bastante volátil, pois além da avaliação dos impactos decorrentes dos números divulgados, há o confronto entre compradores e vendedores, um confronto de diferentes expectativas em relação ao futuro da empresa. 

Evidentemente que os analistas das instituições financeiros e dos fundos de investimentos e corretoras de valores se debruçarão sobre esses números para avaliar o quando as perdas contabilizadas afetam o atual valor da empresa no mercado e também, como os resultados operacionais e financeiros, devidamente expurgados, afetam as expectativas futuras da empresa em termos de trajetória de geração de resultados.


terça-feira, 21 de abril de 2015

BRASIL: O país dos trinta Berlusconis

Bernoit Hervieu do Reporters Sem Fronteiras


Os generais desaparecem, mas os coroneis permanecem


INTRODUÇÃO



Nenhum país havia conseguido anteriormente conquistar a organização, uma a seguir à outra, dos dois mais importantes acontecimentos esportivos do planeta. A obtenção, com dois anos de intervalo, da próxima Copa do Mundo de futebol e dos 31º Jogos Olímpicos de verão confirmou a consagração do Brasil como nova potência, tendência iniciada durante os dois mandatos de Inácio Lula da Silva (2003-2011). Seus indicadores favoráveis - apesar de um menor crescimento previsto para 2013 - destoam num mundo em crise. Em dez anos, o “impávido colosso” descrito pelo hino nacional reduziu suas elevadas disparidades sociais, adquiriu uma influência diplomática incontestável no continente - e mais além - e atrai atualmente tanto os investidores como novas vagas migratórias, em parte provenientes de uma Europa em recessão. Tal não significa, porém, que o Brasil tenha posto um termo à insegurança, à corrupção e às desigualdades. Além disso, em 2012 atingiu um amargo recorde de jornalistas mortos: um total de onze, dos quais cinco por razões diretamente relacionadas com sua profissão. Esse número coloca o país entre as cinco nações mais mortíferas para o jornalismo. Mas os assassinatos não são os únicos ataques à liberdade de informação. O Brasil apresenta um nível de concentração mediática que contrasta fortemente com o potencial de seu território e a extrema diversidade de sua sociedade civil. O colosso parece ter permanecido demasiado impávido no que toca ao pluralismo, um quarto de século depois do regresso da democracia. Embora conte com uma das mais numerosas comunidades de internautas do mundo e até com um Facebook nacional (Orkut), ainda está longe de oferecer a todos seus cidadãos um igual acesso aos novos suportes da informação, apesar de seu aparente nível de desenvolvimento. A internet sofre censuras e bloqueios com maior frequência que nos países vizinhos. Este panorama contrasta com a imagem que o Brasil tenta promover de si mesmo nos anos que antecedem a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.



O JORNALISMO NAS MÃOS DOS "CORONÉIS"



Dez grandes grupos dividem entre si o mercado


As características do mecanismo geral de funcionamento da mídia estorvam a livre circulação da informação e impedem o pluralismo. Dez grandes grupos econômicos, correspondentes a outras tantas famílias, dividem entre si o mercado da comunicação de massas. O espectro audiovisual é claramente dominado pelo grupo Globo, sediado no Rio e propriedade da família Marinho. Seguem-se SBT (Sistema Brasileiro de Televisão, grupo Sílvio Santos), a Rede Bandeirantes (grupo Saad) e Record (detido pelo bispo protestante evangélico Edir Macedo, ver apartado). Na imprensa escrita, o grupo Globo também ocupa um lugar privilegiado, graças ao diário do mesmo nome. Seus principais concorrentes nacionais são os grupos Folha de São Paulo (família Frias Filho), O Estado de São Paulo (família Mesquita) e ainda, no segmento das revistas, a Editora Abril e seu semanário Veja . Embora a polarização da imprensa brasileira seja menor que em seus vizinhos sul-americanos, nos quais os setores privado e público se enfrentam num contexto de “guerra mediática”, isso se deve em parte às relações quase incestuosas entre os poderes político, econômico e mediático. A concentração e, no âmbito local, as pressões e a censura constituem os alicerces de um sistema que ainda não foi remodelado desde o final da ditadura militar (1964-1985) e do qual a mídia comunitária é habitualmente a primeira vítima (ver apartado). Os generais desapareceram, mas os coronéis permanecem.
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Grande terratenente ou industrial e ao mesmo tempo governador ou congressista, o “coronel” em sua acepção brasileira também é proprietário de vários meios de comunicação, dono e senhor dos suportes de opinião em seu território. A cultura do “coronelismo” se encontra na base da fortíssima dependência da mídia com respeito aos centros de poder.

... "É mais fácil derrubar um Presidente da República do que revogar uma concessão da frequência de qualquer político" disse Paulo Bernardo, ex-Ministro da Comunicação. 

“Você conhece muitos países democráticos em que os políticos possuam tantos meios de comunicação e ao mesmo tempo distribuam frequências, em nome do Estado, das quais eles são os principais beneficiários ? A
lei fundamental proíbe expressamente esse conflito de interesses. Como também proíbe os monopólios e os oligopólios. Mas não existe uma lei que defina o que é um monopólio ou um oligopólio, e se for preciso o político dono dos meios utiliza um testa-de-ferro, na pessoa de um irmão, um primo ou um tio”, afirma Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás e colunista do Estadão e da revista Época.

A tutela financeira e política não é, infelizmente, o único elemento que põe em causa uma informação livre e plural. Outro obstáculo de não menor importância reside no poder judicial, que se verga com facilidade aos interesses do poder local. Também nesse aspeto a herança do “coronelismo” tarda em desaparecer.
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Leia o estudo na íntegra: O Pais dos Trinta Berlusconis

domingo, 19 de abril de 2015

PEC 215: Os índios e o golpe na Constituição

Por Eliane Brum para El País




India Awa amamentando filho (Foto Sebastião Salgado)


Os índios vão ocupar Brasília nesta semana. Ao escrever a palavra “índio”, perco uma parte dos meus leitores. É uma associação imediata: “Índio? Não me interessa. Índio é longe, índio é chato, índio não me diz respeito”. E, pronto, clique fatal, página seguinte. Bem, para quem ainda está aqui, uma informação: mais de mil lideranças indígenas ocupam Brasília de 13 a 16 de abril em nome dos seus direitos, mas também em nome dos direitos de todos os brasileiros. Há um golpe contra a Constituição em curso no Congresso Nacional. Para ser consumado, é preciso exatamente o seu desinteresse.

Guarde essa sigla e esse número: PEC 215. Quando se fala em PEC 215, só a sigla e o número já afastam as pessoas, porque neles estão embutidos toda uma carga de burocracia e um processo legislativo do qual a maioria da população se sente apartada. Os parlamentares que querem aprová-la contam com esse afastamento, porque a desinformação da maioria sobre o que de fato está em jogo é o que pode garantir a aprovação da PEC 215. Se durante séculos a palavra escrita foi um instrumento de dominação das elites sobre o povo, hoje é essa linguagem, é essa terminologia, que nos faz analfabetos e nos mantém à margem do centro do poder onde nosso destino é decidido. É preciso vencer essa barreira e se apropriar dos códigos para participar do debate que muda a vida de todos. A alienação, desta vez, tem um preço impagável.

Crinça Macuxi (Foto Sebastião Salgado)
O que é uma PEC? PEC é uma Proposta de Emenda à Constituição. Um instrumento para, em tese, aprimorar a Constituição de 1988. O que essa PEC, a 215, pretende, em resumo, é transferir do Executivo para o Congresso o poder de demarcar terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação. Só que o resumo, como a gente sabe, nunca explica muita coisa. O direito ao território ancestral é uma garantia fundamental da Constituição porque a terra é parte essencial da vida dos índios. Sem ela, condena-se povos inteiros à morte física (genocídio) e cultural (etnocídio). Isso explica por que, em 2012, um grupo de Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul pediu, numa carta aos brancos, que fossem declarados mortos. Preferiam ser extintos a ser expulsos mais uma vez:

“Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar nossa extinção/dizimação total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos. Este é o nosso pedido aos juízes federais”.

Sem a terra de seus ancestrais, um índio não é. Não existe. Os Guarani Kaiowá, uma das etnias em situação mais dramática do Brasil e possivelmente do mundo, testemunham o suicídio de um adolescente a cada seis dias, em geral enforcado num pé de árvore, por falta de perspectiva de viver com dignidade no território dos seus antepassados. Por isso esse grupo afirmou que preferia morrer a ser expulso, mais uma vez, porque pelo menos homens, mulheres e crianças morreriam juntos, já que os indígenas se conjugam no plural, e morreriam no lugar ao qual pertencem. 


O PACOTE MALIGNO



(Ianomâmis, foto Sebastião Salgado).   

Os parlamentares não querem aprimorar a Constituição, mas dar um golpe nela.

poder de demarcar terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação é atribuído ao Executivo pela Constituição não por acaso, como se fosse um jogo de dados, em que a sorte determina o resultado e tanto faz. Foi atribuído por critérios claros, estudados em profundidade, com o objetivo de reconhecer direitos e proteger o interesse de todos os brasileiros. É o Executivo que tem a estrutura e as condições técnicas para cumprir o rito necessário à demarcação, desde equipes capacitadas para fazer os estudos de comprovação da ocupação tradicional até a resolução de conflitos e a eventual necessidade de indenizações. Da mesma forma, é bastante óbvio que a criação de áreas de preservação são parte estratégica da política social e ambiental de qualquer governo.
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Quando os parlamentares tentam tirar o poder de demarcação do Executivo para entregá-lo a eles próprios, o que estão tentando fazer não é aprimorar a Constituição, mas dar um golpe nela. Na prática, a PEC 215 é apenas a pior entre as várias estratégias em curso para acabar com os avanços da Constituição no que diz respeito à preservação do meio ambiente e aos povos indígenas, aos quilombolas e aos ribeirinhos agroextrativistas que o protegem.Na prática, se a PEC 215 for aprovada, o mais provável é a paralisação do processo de demarcação de terras indígenas e quilombolas, assim como a paralisação da criação de unidades de conservação. É nesse ponto que a PEC 215 passa a ameaçar também o direito fundamental de todos os brasileiros a um meio ambiente ecologicamente equilibrado e, por extensão, ameaçar o direito à vida.
Xamã e Chefe Takumã e o filho Kotoki do povo Kamaiurá (foto Sebastião Salgado)  

 Se a PEC 215 passar, por um lado não se demarca mais terras indígenas, por outro, é retirada a proteção daquelas que já estavam garantidas

A PEC 215, a qual espertamente foram sendo juntados vários penduricalhos perigosos, tornou-se uma espécie de pacote maligno. Ela também pretende determinar que apenas os povos indígenas que estavam “fisicamente” em suas terras na promulgação da Constituição de 1988 teriam direito a elas. Assim, todos aqueles que foram arrancados de suas terras tanto por grileiros quanto pelos projetos de ocupação promovidos pelo Estado, seriam agora expulsos em definitivo. A proposta aqui é legalizar o crime, já que os índios tirados de suas terras pela força lá atrás seriam “culpados” por não estarem nelas, perdendo-as para sempre. Parece coisa de maluco, mas é isso que se defende. Ao investigar os crimes da ditadura, a Comissão Nacional da Verdade constatou que, em apenas dez etnias, 8.350 índios foram assassinados. A reparação por meio da demarcação e da recuperação ambiental de suas terras foram consideradas medidas mínimas e indispensáveis para a restauração da justiça.

Mas há algo ainda pior na PEC 215. Ela pretende abrir exceções ao usufruto exclusivo dos povos indígenas, como arrendamentos a não índios, permanência de núcleos urbanos e propriedades rurais, construção de rodovias, ferrovias e hidrovias. Busca também revisar os processos de demarcação em andamento, assim como impedir a ampliação de terras já demarcadas. Há ainda o risco de a PEC 215 abrir espaço, se aprovada, para que as terras já asseguradas sofram modificações segundo os novos critérios. Para entender: se a PEC 215 passar, o que pode acontecer é que, por um lado, não há demarcação de novas terras; por outro, é retirada a proteção daquelas que já estavam garantidas.


AS MÃOS POR TRÁS DO GOLPE


Este é um mundo perfeito para quem? Para mim, para você? Acredito que não. Mas é para alguns. Sempre é para alguns. Basta ver quem está no comando da comissão da PEC 215 para entender. Toda a coordenação é da chamada “bancada ruralista”. Mas é importante compreender de que ruralistas estamos falando, para não reforçar uma falsa oposição com os produtores rurais do Brasil, com aqueles que de fato têm interesse em colocar o alimento na mesa dos brasileiros. Um mundo sem terras indígenas e sem unidades de conservação seria bom para quem produz alimentos para o país? Me parece que não. Produtores rurais inteligentes e com espírito público, sejam eles pequenos ou grandes, sabem que precisam de água para produzir. Se precisam de água pra produzir, precisam de floresta em pé. Se precisam de floresta em pé, precisam de terras indígenas e de áreas de conservação.

Então, se este mundo não é bom nem para mim nem para você nem para quem produz alimentos, para quem este mundo é bom? Sempre é possível ter uma pista seguindo o dinheiro. No caso, o dinheiro do financiamento das campanhas. Segundo o Portal de Políticas Socioambientais, em análise feita a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pelo menos 20 dos quase 50 deputados da comissão especial que analisa a PEC 215 foram financiados por grandes empresas do agronegócio, de mineração e de energia, por empreiteiras, por madeireiras e por bancos. Alguns destes parlamentares receberam, sozinhos, mais de um milhão de reais de empresas ligadas a esses segmentos.

Este é um capítulo importante para compreender os porquês. Tanto as terras indígenas quanto as unidades de conservação são terras públicas. Aos povos indígenas cabe o usufruto dessas terras. As unidades de conservação são parques e florestas nacionais, estações ecológicas, reservas extrativistas ou biológicas, refúgios da vida silvestre etc, que pertencem a todos nós e que são criadas para impedir a exploração predatória e proteger a biodiversidade, estratégica para o desenvolvimento sustentável.


Aldeia Ianomâmi (Foto de Sebastião Salgado)

O objetivo é transformar terras públicas e protegidas em terras privadas para a exploração e o lucro de poucos


Como então colocar a mão nessas terras públicas e protegidas (ou que ainda deverão ser protegidas), terras que são patrimônio de todos os brasileiros, para que elas possam se tornar privadas, para a exploração e o lucro de poucos? Desprotegendo essas terras. E como fazer isso? Dando um golpe na Constituição. Mas como dar um golpe na Constituição? Travestindo esse golpe de legalidade pelo processo legislativo. Junta-se a isso um governo fragilizado, com baixa aprovação popular e pouco apoio até mesmo entre suas bases, e o Congresso mais conservador desde a redemocratização. Pronto, estão dadas as condições para o crime.

Se depois o Supremo Tribunal Federal considerar inconstitucional a emenda, anos já se passaram e tanto a privatização do que é público quanto a devastação de biomas como a floresta amazônica e o Cerrado já se tornaram fatos consumados. E o Brasil, como se sabe, é o país do fato consumado. Basta acompanhar a trajetória de Belo Monte, que entre ilegalidades constantemente denunciadas, várias ações movidas pelo Ministério Público Federal e a suspeita de pagamento de propinas pelas empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, vira fato consumado à beira do Xingu. Quando finalmente chegar ao Supremo, já será tarde demais.


OS ÍNDIOS, ESSES ESTRANGEIROS NATIVOS


A conversão do público para o privado, em benefício dos grandes interesses particulares de exploração da terra e dos recursos naturais do Brasil, é o que está na mesa nesse jogo de gente bem grande. Cabe à população brasileira se informar e participar do debate, se concluir que este não é o projeto de país que deseja. Por causa dos povos indígenas, dos quilombolas, dos ribeirinhos? Me parece que seria motivo mais do que suficiente. Sobre os índios, em especial, aqueles que têm grandes interesses nas riquezas das terras que ocupam, costumam espalhar preconceitos como o de que seriam “entraves ao desenvolvimento” e o de que não seriam índios “de verdade”. Mas entraves a qual desenvolvimento e ao desenvolvimento para quem? E o que seria essa categoria, “um índio de verdade”?

Vale a pena examinar os preconceitos de perto, para perceber que eles não param em pé depois de um confronto mínimo com a realidade. Para começar, não existe “o” índio, mas uma enorme diversidade na forma como cada um dos 242 povos indígenas listados pelo Instituto Socioambiental dá sentidos ao que chamamos de mundo e se vê dentro do mundo – ou dos mundos. O Brasil lidera o ranking dos 17 países mais megadiversos, em grande parte por causa dos povos indígenas. Por países megadiversos compreende-se aqueles que concentram a maior parte da biodiversidade do mundo e, portanto, da sua preservação depende o planeta inteiro. Essa é maior riqueza do Brasil, mas a ganância de poucos e a ignorância de muitos a ameaça e destrói, colocando em risco a vida de todos.

No atual Congresso não há nenhum representante indígena


Indios Awa (Foto Sebastião Salgado) 

No atual Congresso não há nenhum representante indígena
Os povos indígenas, guardiões da biodiversidade, são silenciados também pela simplificação, às vezes apenas burra, em geral mal intencionada, de fazê-los parecerem um só, chapados como “entraves ao desenvolvimento”. Estima-se que havia mais de mil povos indígenas quando os europeus desembarcaram no Brasil. Hoje, parte dos parlamentares do atual Congresso não mede esforços para completar o genocídio iniciado 500 anos atrás.

Quando a Constituição assegurou os direitos dos povos indígenas, em 1988, não criou direitos novos, apenas reconheceu direitos pré-existentes, já que eles estavam aqui antes de qualquer europeu. Legalmente, não se trata de “dar” terra aos povos indígenas, mas apenas de demarcar a terra que sempre foi deles. Nesse processo, de responsabilidade do Executivo, é preciso indenizar aqueles fazendeiros e agricultores que possuem títulos legais de propriedade (e o “legais” aqui deve ser bem sublinhado), dados pelos governos nos tantos projetos de ocupação, gente que não têm a menor culpa de ter sido despachada com suas famílias para território indígena. Pela Constituição, o Estado tinha um prazo de cinco anos para demarcar as terras indígenas. Como sabemos, passaram-se mais de 25 anos e dezenas delas ainda não foram demarcadas.

Como também sabemos, a ilegalidade faz mal ao país: os conflitos de terra que se espalham pelo Brasil, semeando cadáveres, são resultado da demora em cumprir a Constituição, sobre a qual a bancada ruralista tenta agora dar um golpe. Vale lembrar ainda que os direitos fundamentais são colocados na Constituição também para que a maioria de ocasião não possa ameaçá-los em nome de seus interesses. A importância dessa proteção fica mais clara se prestarmos atenção à atual composição do Congresso: há dezenas de ruralistas e nenhum indígena.

No capítulo “mentiras & manipulações” sobre os povos indígenas há pelo menos três linhas de não pensamento bastante populares no Congresso e fora dele. Há os “atrasadistas”, gente que estudou e que coleciona diplomas, mas prefere ignorar a Antropologia e pensadores da estatura de Claude Lévi-Strauss, para considerar que os índios são “atrasados”. Para estes, existe uma cadeia evolutiva única e inescapável entre a pedra lascada e o Ipad. Não conseguem – ou não querem – ter a amplidão mínima de pensamento para compreender a multiplicidade de escolhas e de caminhos possíveis para a trajetória de um povo. Tampouco alcançam perceber que são essas as diferenças que formam a riqueza da experiência humana. E, claro, preferem se “esquecer” do que o tipo de “progresso” que defendem causou ao planeta.

India do Alto Xingu. (Foto Sebastião Salgado)  

O ápice da evolução: de “índio falso” a “pobre legítimo”


A segunda linha de não pensamento é a dos “fiscais de autenticidade”. Quando a classificação dos índios como “atrasados” e “entraves ao desenvolvimento” falha, trata-se então de dizer que, sim, os índios têm direitos, mas só os “de verdade”. Haveria então os não legítimos, aqueles que falam português, usam celular e gostam de assistir à TV ou andar de carro. Nessa lógica abaixo da linha da estupidez, os brasileiros que falam inglês, vão à Disney, preferem rock ao samba e ultimamente andam gostando de torcer por times europeus de futebol, também poderiam ser considerados falsos brasileiros e perder todos os seus direitos. Nessa altura da história humana e com tanto conhecimento produzido era de se esperar um pouco mais de sofisticação na compreensão daquilo que faz de alguém o que é.

Quando as duas mentiras anteriores são desmascaradas, aparecem os “bons samaritanos” para salvar a Pátria – deles. Estes acham que quem gosta de mato é antropólogo e ambientalista e que o sonho dos indígenas, o sonho mesmo, no “íntimo do seu intrínseco”, é viver em nossas maravilhosas favelas e periferias, com esgoto serpenteando na porta e polícia dando tiro nas escadarias, à custa de Bolsa Família e cesta básica. Este seria o ápice da evolução: de “índio falso” a “pobre brasileiro legítimo”. Quem, afinal, poderia resistir a tal progresso na vida?

Um golpe na Constituição aqui e acolá e estes bons samaritanos chegam ao ponto ótimo: ajudam os índios que não conseguiram matar a virar pobres e, pronto, para que terra para índio, se já não existe índio? A ignorância só perde para a má fé. Mas é com preconceitos como estes, espertamente disseminados e manipulados, que se tenta transformar os indígenas numa espécie de estrangeiros nativos, como se os “de fora” fossem aqueles que sempre estiveram dentro. Essa xenofobia invertida seria apenas nonsense, não fosse totalmente perversa, a serviço de objetivos bem determinados.

ADERIR OU PENSAR? 


Há muita terra para pouco índio? Não. Como costuma dizer o socioambientalista Márcio Santilli, “há muita terra para pouco fazendeiro”. Segundo o Censo de 2010 do IBGE, há 517 mil índios aldeados em menos de 107 milhões de hectares de terras indígenas, o equivalente a 12,5% do território brasileiro. E onde estão essas terras? Mais de 98% delas estão na Amazônia Legal – e menos de 2% fora de lá. Já os 46 mil maiores proprietários de terras, segundo o Censo Agropecuário do IBGE, exploram uma área maior do que essa: mais de 144 milhões de hectares.

Sobre a realidade da concentração fundiária no país, que continua a crescer, o Cadastro de Imóveis Rurais do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) mostra que as 130 mil grandes propriedades rurais particulares concentram quase 50% de toda a área privada cadastrada no Incra. Já os quase quatro milhões de minifúndios equivalem, somados, a um quinto disso: 10% da área total registrada. Em entrevista ao jornal O Globo, o pesquisador Ariovaldo Umbelino de Oliveira, coordenador do Atlas da Terra, afirmou que quase 176 milhões de hectares são improdutivos no Brasil. Prestar atenção nos números já é um começo para pensar, em vez de simplesmente aderir.

Aldeia Ianomâmi, processando mandioca (Foto Sebastião Salgado)  

Muita terra para pouco índio? Não. Muita terra para pouco fazendeiro
Falta espaço para a produção de alimentos no país? Tudo indica que não. Num país com essa quantidade de terras destinada à agropecuária e com essa concentração de terras na mão de poucos, afirmar que o problema do desenvolvimento são os povos indígenas só não é mais ridículo do que Kátia Abreu, a latifundiária que diz não existir mais latifúndio no Brasil e hoje ministra da Agricultura, afirmar que “o problema é que os índios saíram da floresta e passaram a descer na área de produção”. Os índios, esses invasores do mundo alheio. Mas é assim que a história vai sendo distorcida ao ser contada para a população.

Então, sim, respeitar os direitos dos povos indígenas já seria um motivo suficiente para lutar contra a PEC 215. Mas a PEC 215 não ameaça apenas os povos indígenas e as populações tradicionais. Ela ameaça a vida de todos os brasileiros. E por quê? Porque se temos floresta em pé é por causa dos povos indígenas e das populações tradicionais, são eles a pedra no caminho de um tipo de exploração que, depois de consumada, lucros privatizados na mão de poucos, deixa para nós todos o custo da devastação. E agora, nos estados da região sudeste, nós finalmente compreendemos, com o colapso da água, qual é o custo da devastação. Nós finalmente começamos a compreender o quanto corroemos a nossa vida cotidiana ao destruir as florestas e ao contaminar os rios. Não é mais algo subjetivo, uma abstração, mas algo bem concreto. Não é mais um futuro distante, é aqui e é agora. Não são mais os nossos netos, mas os nossos filhos que sofrerão e já sofrem com esse planeta mastigado. Assim como nós mesmos. E só está começando.

Lutar democraticamente para barrar a PEC 215 não é uma atitude altruísta, não é um esforço para respeitar os direitos indígenas, não é algo que fazemos porque somos pessoas bacanas, gente do bem. Barrar a PEC 215 é atender ao nosso instinto de sobrevivência num mundo em que as mudanças climáticas são possivelmente o maior desafio da história humana nesse planeta, que é o único que temos e que destruímos. Se o golpe à Constituição for consumado, o meio ambiente no Brasil perderá boa parte das barreiras que ainda impedem a devastação, reunindo condições e abrindo espaço para a aceleração da corrosão da vida.

Há muita atenção da imprensa e da população sobre os protestos nas ruas do Brasil. O curioso é que, quando são os índios que ocupam o espaço público, apesar de todo o seu colorido, de sua fascinante diversidade, eles correm o risco de tornar-se automaticamente invisíveis. Sua dor, sua morte e sua palavra parecem não existir – ou existir apenas no diminutivo. O olhar dos não índios os atravessa. Desta vez, ainda que por instinto de sobrevivência, seria conveniente enxergá-los. Mas, claro, sempre podemos concluir que o melhor para todos nós é viver cercado de cimento, fumaça e rios de cocô.

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FONTE: El País

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes - o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos e do romance Uma Duas. Site: descontecimentos.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum