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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

400 Igrejas fecharam no Canadá – sinal dos tempos?

Por Graeme Hamilton


O que está acontecendo com as igrejas de Montreal? Quebec encontra novas maneiras de preservar seu patrimônio em uma época secular.



"No início meu pai ficou horrorizado mas depois ficou orgulhoso." diz Sonya
Aparelhos de pesos ocupam o espaço onde antes havia bancos de igreja, e os visitantes bebericam sucos verdes nutritivos, em vez do vinho da comunhão. Porém, apesar de sua transformação dramática em uma academia de ginástica privada e SPA, o outrora Santuário dominicano de São Judas, na Rua St. Denis, em Montreal, continua sendo um tipo de templo.

Ele se torna quase uma religião para algumas pessoas,” disse Sonya Audrey Bonin, gerente geral da academia de ginástica Saint-Jude Espace Tonus, nesta semana. “Eu considero isso como fazer yoga, cuidar de si, cuidar do que você come, ter um estilo de vida saudável.” E em uma época secular, quando as pessoas estão mais propensas a frequentar a academia do que ir à missa no domingo de manhã, as instalações de luxo estão sendo elogiadas como modelo de preservação de prédios religiosos que constituem uma parte importante do patrimônio arquitetônico de Quebec.


A Igreja de Santo Eugênio é agora um centro comunitário
O Conselho de Patrimônio Religioso de Quebec foi criado, em 1995, com fundos provinciais e com a missão de reparar as minguadas igrejas da província. As congregações em decadência pensavam que as paróquias estavam tendo dificuldade em pagar os reparos. Assim, o conselho identificou os prédios com o maior valor patrimonial e subsidiou a manutenção deles.

Porém, após 18 anos e $371 milhões investidos pelo governo, o conselho reconheceu que faz pouco sentido reparar prédios simplesmente para mantê-los de pé. Eles precisam ser ocupados, e as igrejas estão tendo bastante dificuldade em fazê-lo. “A questão mudou,” disse Denis Boucher, gerente de projetos do conselho de patrimônio. “Hoje em dia, falamos muito mais em encontrar usos para igrejas.” No passado, as verbas do conselho eram

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Cristo Traído

por Mino Carta (Editorial Carta Capital)

Os varões da minha família eram fervorosamente anticlericais, as damas não perdiam a missa domingueira e muitas outras funções. O esquema é bastante comum na Itália. O derradeiro grande líder do Partido Comunista Italiano, Enrico Berlinguer, aos domingos levava mulher e filhas até a porta da igreja e dali saía para um passeio. Voltava para buscá-las.


João XXIII. único, autêntico
e ousado reformador. Foto:

O anticlericalismo à moda peninsular tem origem na constante e imperiosa interferência eclesiástica na vida do país e de vários mais. A Igreja de Pedro sempre teve uma presença poderosa desde os tempos do Sagrado Romano Império, que precisava do seu endosso para vingar. Dentro da Itália, o papa dispôs de poder temporal, como dono de uma larga fatia do território, do VIII século ao XIX. Foi o tempo do papa-rei.

Para livrar-se dos inimigos, o pontífice nunca hesitou em convocar exércitos estrangeiros. Pela última vez quando Garibaldi enxotou Pio VII para o Vaticano e proclamou a República Romana em 1849. Desta vez, o papa convocou os franceses com um novo, revolucionário modelo de fuzil, e os garibaldini capitularam depois de seis meses de cerco. Vinte e um anos depois quem invadiu Roma foram os bersaglieri do rei piemontês. Mais uma vez o papa refugiou-se no Vaticano e a cidade se tornou capital da Itália unificada.

Tratou-se de um fecho temporário das guerras do Risogimento, destinadas a unificar a Península e a criar uma nação, encerradas finalmente com o conflito de 1914-1918 e a anexação de Trento e Trieste. O golpe de Mussolini levou em 1929 aos Pactos de Latrão, e a Igreja voltou a exercer um papel fortemente político durante o fascismo e mais ainda logo após. Dos púlpitos, de cardeais a párocos de campo fizeram propaganda a favor do Partido Democrata-Cristão e, portanto, da divisão do mundo em dois blocos antagônicos.

A interferência prosseguiu décadas adentro e hoje chega a se agudizar, tanto mais nestes dias de véspera eleitoral: a Itália vai às urnas no próximo dia 24. Os candidatos da direita e do centro conservador não perdem a ocasião para ajoelhar-se aos pés do altar e deglutir hóstias. É o momento em que o sangue anticlerical ferve. As questões em jogo, na Itália e no mundo todo, transcendem a fé, sincera ou não.