segunda-feira, 27 de junho de 2011

Aposentando a máquina concentradora de renda.

Revista IstoÉ 23/06/2011
Por Ricardo Amorim
(Economista, apresentador do programa 
Manhattan Connection da Globonews e 
presidente da Ricam Consultoria)

Desde 1994, com a queda da inflação, a distribuição de renda no Brasil está melhorando substancialmente. Só nos últimos 5 anos, 45 milhões de brasileiros – mais do que toda a população da Espanha – deixaram as classes D e E. No mesmo período, 55 milhões entraram nas classes A, B, C. Em outras palavras, o Brasil ganhou uma Itália de consumidores de classe média e alta neste período. Se mantivermos o ritmo de melhora de distribuição de renda dos últimos 15 anos, antes do final desta década, a distribuição de renda no Brasil será melhor do que nos EUA.
Razão para comemorarmos, certo? Ainda não. Recentemente, a inflação subiu e, para não provocar uma desaceleração mais brusca do crescimento econômico, o Banco Central foi relativamente leniente. Além de outros efeitos nocivos, esta opção retarda e pode até reverter o processo de redistribuição de renda no Brasil de várias formas.
Não foi coincidência que o país teve as maiores taxas de inflação do planeta e uma das piores distribuições de renda do mundo. Quem mais sofre com a inflação é quem não tem conta bancária para proteger seu dinheiro da corrosão inflacionária, exatamente os mais pobres.
Em particular, a recente alta inflacionária foi liderada por uma elevação significativa do preço dos alimentos, que também atinge particularmente os mais pobres, que gastam uma parcela mais significativa de sua renda com comida.
Ao optar por não combater a inflação de forma mais dura agora, o Banco Central, provavelmente, terá de agir com mais rigor no futuro. Como com qualquer doença, quanto mais demoramos para tratá-la, maiores as doses necessárias de remédios e seus efeitos colaterais. No caso, o remédio é a elevação da taxa de juros, que, além de frear a atividade econômica, também funciona como um mecanismo concentrador de renda. Enquanto os mais pobres, normalmente, tem dívidas, cujo financiamento fica mais caro com a alta dos juros; os mais ricos tem aplicações financeiras, cuja rentabilidade sobe junto com os juros.
Para reacelerar o processo de redistribuição de renda no Brasil, além de parar de titubear no combate à inflação, o governo precisaria, apenas, de mais duas medidas.
Primeiro, aumentar investimentos em educação básica. Além da própria inflação, as raízes de nossa má distribuição de renda estão na péssima distribuição de oportunidades educacionais. Crianças sem acesso a educação de qualidade transformam-se em trabalhadores desqualificados, com baixa produtividade e baixos salários.
Além disso, o governo deveria reduzir seus gastos. Assim, diminuiria sua necessidade de financiamento, permitindo que os juros caíssem. Permitiria também a redução de impostos, que, no Brasil, penalizam os mais pobres com uma concentração de impostos sobre consumo. Enquanto aqueles com maior renda conseguem poupar parte dela, os mais pobres gastam tudo que ganham e, às vezes, até mais do que ganham em consumo.
O Brasil não chegou a uma das piores distribuições de renda do planeta por acaso. Já passou da hora de aposentarmos nossa máquina concentradora de renda.

terça-feira, 3 de maio de 2011

FGV: Desigualdade de renda é a menor em 50 anos

Desigualdade é a menor desde que começou a pesquisa, em 1960. 'Desde o Plano Real, a pobreza caiu 67,3% no Brasil', afirma economista.

(Bernardo Tabak Do G1 RJ)
A taxa de desigualdade no Brasil caiu à mínima histórica no final de 2010, segundo estudo divulgado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/FGV) nesta terça-feira (3). Em oito anos - de dezembro de 2002 a dezembro de 2010 -, o país conseguiu reduzir a pobreza em 50,64%, de acordo com a pesquisa “Desigualdade de Renda da Década”.
“Em 8 anos, no governo Lula, foi feito o que era previsto para 25 anos, de acordo com a Meta do Milênio da Organização das Nações Unidas, que era reduzir a pobreza em 50% de 1990 até 2015”, ressaltou o economista Marcelo Neri, coordenador do CPS/FGV. “E, desde o Plano Real, a pobreza caiu 67,3% no Brasil. Um feito notável comparado com outros países”, complementou.
A taxa de desigualdade, medida pelo índice de Gini, ficou em 0,5304 em 2010, a menor desde 1960, quando começou a pesquisa. Quanto mais perto de 1, mais desigual é o país. “Os principais motivos para isso foram, principalmente, a educação e, em menor parte, os programas sociais”, explicou Neri.
Entretanto, o economista diz que, quando comparado com outros países, ainda é “estupidamente alto, porém menor do que antes” o nível de desigualdade no Brasil. “Se é uma má notícia que a nossa desigualdade ainda é alta, a boa notícia é que ela deve cair. O que os dados mostram é que a queda continua”, destacou.
Renda dos mais pobres cresceu mais do que dos mais ricosDe acordo com a pesquisa, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Pnad/IBGE) a renda dos 50% mais pobres no Brasil cresceu 52,59%, entre 2001 e 2009, enquanto que a renda dos 10% mais ricos do país cresceu 12,8%. Isso significa dizer que a renda da classe baixa teve um crescimento de 311% na comparação com os mais abastados.
Marcelo Neri também destacou conclusões da pesquisa que, para ele, foram inesperadas. “Fiquei muito surpreso com os dados”, disse o economista, ao mostrar que, de 2001 a 2009, os analfabetos obtiveram ganhos de 47%, enquanto quem tem nível superior teve uma queda de 17% na renda. No mesmo período, as pessoas de cor preta ganharam aumentos na renda de 43%, enquanto que os brancos tiveram 21% de alta. Já as mulheres tiveram um ganho na renda de 38%, contra 16% dos homens. “O que está ‘bombando’ é o mercado da base: empregadas domésticas, trabalhadores da construção civil, agricultores”, ressaltou, em tom informal, o economista.
Maranhão deixa de ser estado mais pobre, e SP, o mais ricoA pesquisa mostrou que os chamados “grotões” brasileiros estão em alta, já que entre 2001 e 2009 os “maiores ganhos reais de renda foram em grupos tradicionalmente excluídos”. Segundo o estudo, Alagoas é, hoje, o estado com a pior renda média per capita do país. E, no mesmo período, o Maranhão, que era o estado mais pobre, teve ganhos na renda da população de 46%.
Já os estados de Santa Catarina e do Rio de Janeiro passaram São Paulo na condição dos que tem a maior renda média. “A migração do Nordeste para o Sudeste diminuiu bastante, com o inchaço das grandes cidades. O campo está se tornando mais atrativo”, observou Neri.
Em 30 anos, Brasil pode estar equiparado aos EUAO coordenador da pesquisa explicou que o Brasil ainda “vai demorar uns 30 anos para ter um nível de desigualdade parecido com o dos Estados Unidos”, que, segundo Neri, está em 0,42. “Apesar de a economia brasileira não estar crescendo tanto, a renda dos mais pobres cresce em patamares chineses, enquanto que a dos mais ricos está estagnada”, comparou Neri.
Entretanto, para o economista, a tarefa agora é mais complicada. “Vamos ter mais dificuldades para erradicar, pois esta terça parte que falta é o núcleo da pobreza no país”, explicou.
Para a próxima década, Marcelo Neri afirma que é preciso melhorar a qualidade da educação, continuar investindo em programas sociais e realizar obras de saneamento básico. “E é preciso fazer mais com menos recursos, pois não podemos aumentar mais ainda a nossa carga tributária”, acrescentou.
“As razões do meu otimismo são proporcionais ao tamanho dos problemas que temo hoje. A escolaridade no Brasil é ridícula, por isso acho que ainda temos muito a avançar”, finalizou.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Começa julgamento de Videla por roubo de bebês na ditadura argentina

Julgamento durará até o final de semana.
Do lado de fora do tribunal, manifestantes exigiam justiça.

Da France Presse

Jorge Rafael Videla, no começo de seu julgamento, em Buenos Aires (Foto: Juan Mabromata/AFP)
Jorge Rafael Videla, no começo de seu julgamento,
em Buenos Aires (Foto: Juan Mabromata/AFP)

Começou nesta segunda-feira (28) o histórico julgamento do ex-ditador argentino Jorge Videla e outros chefes militares, acusados de um plano sistemático de roubo e troca de identidade de cerca de 500 bebês filhos de desaparecidos, em sua maioria nascidos em cativeiro em prisões clandestinas.
Videla, de 85 anos, chegou ao Tribunal algemado e sentou no banco junto ao último presidente da ditadura (1976-1983), o ex-general Reynaldo Bignone, em uma audiência oral contra um total de oito réus, entre eles dois ex-almirantes, Antonio Vañek e Rubén Franco.
O julgamento, que durará até o final de semana, reúne em uma mesma sala os chefes do Exército terrestre e da marinha pela primeira vez desde o julgamento dos comandantes de 1985, considerado o 'Nuremberg' argentino.
Do lado de fora do tribunal, manifestantes da organização HIJOS, de parentes de presos e desaparecidos, exibiam cartazes de protestos e exigiam justiça.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O que me incomoda não é a hipocrosia dos políticos

O que me incomoda não é a hipocrisia dos políticos, posto que isto já é defaut, mas sim a hipocrisia dos jarnalistas, já que o principal atributo dessa profissão é a credibilidade.  Ao "comprarem" o discurso político das potencias ocidentais de que o objetivo de "atacar as forças de Khadaf para proteção a população civil" e disseminar isso como uma verdade é uma das coisas mais ridículas que já presenciei.  Qualquer índio brasileiro, que frequente o curso primário sabe que as forças ocidentais, liderados por Obama, o Premio Nobel da Paz, tem outros interesses, muito mais "importantes" que a vida de cidadãos libios.  Ou por acaso, os mil mortos e um milhão de refugiados da Costa do Marfim não são gente, civis, cidadãos?  Os jornalistas ocidentais, na verdade, são instrumentos (muito bem remunerados) da divulgação da contra-informação e a formação de uma opinião que interessa à um lado da moeda. A atuação dos comentaristas políticos ("cientistas políticos") da grande mídia, seja em SP, no RJ ou em "Manhatan", comentando política nacional ou externa, lembram me,  imediatamente, algo tipo Galvão Bueno transmitindo Flamengo x Cabofriense, no plano interno e Brasil x Argentina, no plano internacional.  Uma mistura de má índole, mediocridade e hipocrisia.

(Paulo Franco)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Programa de Governo do Partido Bem Eficiente Imgres-12
Fim da Gratuidade de Mestrados e Doutorados.

(por Stephen Kanitz)

A função do Estado é ajudar os pobres e excluídos.
Um adulto de 25 anos com formação superior, simplesmente não pode continuar a receber favores do Estado. Não é um excluído. Com formação superior ele já deveria estar incluído.
Poderia trabalhar aos sábado e domingos, como a maioria dos estudantes americanos, como garçons ou choferes de táxi. Por que não?
Gratuitidade do Mestrado e Doutorado se tornou uma bandeira para empregar Professores Universitários com a verba do povo brasileiro. 

Todo mestrado e doutorado terá de ser pago pelos beneficiários, por bolsas de estudo ou pelo Imposto Educação Complementar, após a formatura. Sem exceções. 
Isto economizaria fortunas, que poderão ser gastas em pesquisas e desenvolvimento. Na realidade, 90% das verbas de Pesquisa se tornam salários indiretos de mestrandos e doutorandos, e não recursos para compra de equipamentos e instrumentos de pesquisa.
Partido Bem Eficiente 2014.