BOAS VINDAS

A idéia deste blog é a criação de um espaço para o questionamento de duas grandes forças das ideologias atuais: o Capitalismo e o Socialismo. Que, senão são coincidentes,não são também totalmente opostas. Terceira Via é nada menos do que uma Resultante dessas duas forças. Abrindo assim, um campo para o existência de uma opção, que não é uma coisa nem outra e ao mesmo tempo são as duas coisas. Eu acredito muito nessa vertente, como alternativa para convergir anseios de ambas as correntes. Num olhar metodológico, poderiamos enxergar essa possibilidade como uma demonstração empírica da dialética. Enquanto o Capitalismo está mais associado ao racional, à eficiência, à lógica; o Socialismo está mais associado ao nosso cognitivo, à sensibilidade, sentimentos, percepções, etc. Acredito ainda, que só a Democracia viabiliza essa vertente. A Ditadura, sem dúvida, enviesará para o socialismo ou para o capitalismo radical. ENTÃO SEJA BEM VINDO, COLOCANDO SUA CONTRIBUIÇÕES, SUAS IDÉIAS, SUAS DÚVIDAS, ETC. (Paulo Franco)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

FAO: Brasil é exemplo no combate ao desperdício de comida







Diretor de campanha da ONU contra perda de alimentos afirma que 33% do que é produzido é jogado fora. Ele aponta "todos" como culpados e cobra mais iniciativas, como as do governo brasileiro, para enfrentar o problema.



Por ano, o mundo joga fora 1,3 bilhão de toneladas de alimento. Países ricos e pobres desperdiçam comida na mesma proporção – cerca de um terço do que é produzido – mas por motivos diferentes, como alerta Robert van Otterdijk, do Programa das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Em entrevista por e-mail à DW, Van Otterijk explica que, nas nações ricas, o que ocorre é um descarte de alimentos, enquanto nos países em desenvolvimento ocorre um desperdício por conta de falhas na infraestrutura. E nesse sentido, afirma, o Brasil é um dos líderes no combate ao problema.

"Para cada alimento que vai para o lixo, também são desperdiçadas terra, água, fertilizante, energia e trabalho usado na produção", diz Otterijk, um dos coordenadores da campanha Pensar, Comer, Conservar: Diga não ao desperdício. O tema foi o escolhido pelas Nações Unidas para o dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta quarta-feira (05/06).

Deustsche Welle:    Qual a diferença entre o desperdício e a perda de alimentos?

Robert van Otterdijk:   Perda de alimento e desperdício referem-se à redução quantitativa ou qualitativa do alimento disponível para consumo humano por meio da cadeia de abastecimento agrícola. Essa redução ainda é considerada perda ou desperdício mesmo que essa sobra seja redirecionada para alimentação de animais ou vire adubo. Qualquer produto agrícola destinado ao consumo humano, mas que tenha outro fim, é considerado perda ou desperdício.



Perdas quantitativas referem-se à queda da produção agrícola, por exemplo, 7 toneladas de batata em vez de 10. Já a perda qualitativa tem a ver com alteração das propriedades físicas dos produtos agrícola, como queda de valor nutricional, da cor e da consistência.

A perda de alimento está relacionada à diminuição desintencional da produção agrícola. É normalmente resultado da ineficiência da cadeia alimentícia, da colheita feita de forma imprópria, do armazenamento inadequado, falta de infraestrutura e falta de acesso aos mercados. Tudo isso acontece tipicamente durante a produção agrícola e nos estágios de processamento da cadeia.

O descarte não intencional de produtos agrícolas tem várias causas. Um produtor pode achar que os preços estão muito baixos para cobrir os custos da colheita e do transporte e, por isso, deixar que a produção estrague no campo. Um supermercado pode descartar batatas velhas porque os clientes compram somente as que acabaram de chegar, mesmo que as mais antigas estejam boas para o consumo.

Perda de alimento, portanto, refere-se à remoção acidental de comida dessa grande cadeia, tipicamente conduzida por produtores rurais ou por aqueles que processam o alimento nos primeiros estágios dessa cadeia. Desperdício de alimento refere-se ao descarte deliberado de comida da cadeia alimentícia, conduzido tipicamente por varejistas e consumidores no fim da cadeia.

As estatísticas apontam que 1,3 bilhão de toneladas de alimento são desperdiçadas por ano. De onde vem esses números? Como é possível fazer um cálculo desse?

O estudo da FAO sobre perda e desperdício de alimento no mundo foi um metaestudo baseado em dados disponíveis sobre esses temas. Isso significa que estudos existentes foram analisados, e as perdas em diferentes regiões e para diferentes produtos foram calculadas. O dado aponta que o desperdício mundial de alimento é de um terço, aproximadamente 33% é uma perda total média.

No entanto, a maioria desses estudos foi feita com metodologias diferentes e suas conclusões podem, portanto, variar. Em algumas áreas e para alguns grupos de produtos não existiam estudos disponíveis. Nesses caso, os números foram calculados com base em informações similares quanto à geografria, área sociopolítica e produtos com qualidades similares.

Uma das principais tarefas da iniciativa Save Food (Pensar, Comer, Conservar) é agora analisar cadeias específicas em países específicos – como a cadeia do milho no Quênia e a cadeia do feijão na Índia – e ver se os resultados conferem com as estimativas. Nós também trabalhamos com parceiros, instituições de pesquisas e governos para desenvolver uma metodologia unificada. Poderemos, no futuro, comparar esses estudos mais diretamente entre os diferentes setores e fronteiras geográficas.

O mundo está consciente desse problema ou a FAO está buscando provocar uma reação?

A consciência mundial está aumentando gradativamente. A FAO e outros parceiros trabalham há 40 anos nas perdas pós-colheita. No início, não se notava a enorme escala do desperdício e da perda porque as intervenções eram localizadas. Foi somente após o estudo global, quando essas questões foram colocadas em uma escala mundial, que se percebeu o tamanho do problema. Ou, falando de outra maneira, o potencial que a redução do desperdício na produção tem para a produção mundial.

Vocês têm dados sobre o desperdício no Brasil?

O Brasil é um dos países líderes quando se trata de combater a perda e o desperdício de alimentos. O projeto Fome Zero é famoso em todo o mundo e foi fundado pelo atual diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva. O programa tem como objetivo garantir a segurança alimentar e nutricional do Brasil.

Com base na constatação de que uma única intervenção não poderia resolver o problema, 30 programas complementares foram criados, incluindo novas leis, subsídios de comida, apoio à agricultura familiar, alimentação escolar, aulas de culinária e alimentação saudável, melhoria dos mecanismos do mercado de alimentos e redução de desperdício. Juntas, essas iniciativas reduziram a desnutrição crônica no Brasil em 30%, com melhorias nas condições de vida e aumento da geração de renda em muitas das áreas mais pobres do país.

O Ministério da Agricultura e o Serviço Social da Indústria (SESI) continuam com o programa de educação alimentar lançado em 2008 e estão ajudando outros países a aprenderem com essas experiências. Estudos separados sobre as perdas de alimentos e resíduos no Brasil serão lançados. O país também trabalha na iniciativa Diga não ao desperdício e no desenvolvimento da metodologia para que tenhamos resultados comparáveis​​, como mencionado anteriormente.

Quem são os culpados por tanto desperdício?

A resposta mais rápida é: todos nós. Perdas e desperdício ocorrem praticamente em todas as partes da cadeia da indústria alimentícia e mudanças precisam ser implementadas em todos os lugares, desde a produção, malha rodoviária, armazenamento, mercados, distribuição, venda no varejo e comportamento do consumidor. Alterações nas leis e regulamentações precisam acontecer para facilitar isso.

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