BOAS VINDAS

A idéia deste blog é a criação de um espaço para o questionamento de duas grandes forças das ideologias atuais: o Capitalismo e o Socialismo. Que, senão são coincidentes,não são também totalmente opostas. Terceira Via é nada menos do que uma Resultante dessas duas forças. Abrindo assim, um campo para o existência de uma opção, que não é uma coisa nem outra e ao mesmo tempo são as duas coisas. Eu acredito muito nessa vertente, como alternativa para convergir anseios de ambas as correntes. Num olhar metodológico, poderiamos enxergar essa possibilidade como uma demonstração empírica da dialética. Enquanto o Capitalismo está mais associado ao racional, à eficiência, à lógica; o Socialismo está mais associado ao nosso cognitivo, à sensibilidade, sentimentos, percepções, etc. Acredito ainda, que só a Democracia viabiliza essa vertente. A Ditadura, sem dúvida, enviesará para o socialismo ou para o capitalismo radical. ENTÃO SEJA BEM VINDO, COLOCANDO SUA CONTRIBUIÇÕES, SUAS IDÉIAS, SUAS DÚVIDAS, ETC. (Paulo Franco)

domingo, 18 de dezembro de 2016

Islândia atribui sua recuperação à recusa em aplicar a austeridade

Por Lluis Pellicer

“Interesses econômicos em uma mão e a democracia na outra”

Rei Felipe VI recebe o presidente de Islândia, Ólafur Ragnar (à esq.).  EFE
O colapso dos bancos no final de 2008 levou a Islândia a perder 8% de sua riqueza em dois anos e a uma taxa inédita de desemprego de 11,9%. A economia da ilha deu uma guinada a partir de 2011. Baseada sobretudo no turismo, nas exportações pesqueiras e na indústria de alumínio, a Islândia recuperou o terreno perdido: hoje, a taxa de desemprego oscila entre 3% e 4% e o Governo previu
uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,3%. O presidente do país, Ólafur Ragnar Grimsson, atribuiu parte dessa recuperação ao fato de não ter levado em consideração os conselhos dos órgãos internacionais, em particular a Comissão Europeia, para que aplicasse medidas de austeridade.

Apesar de recusar-se a dar conselhos à Grécia, que nesta quinta-feira teve sua proposta de estender a ajuda ao país por seis meses rejeitada pela Alemanha, o presidente islandês destacou que a União Europeia se enganou no caso de seu país. “Por que deveriam ter razão em outros?”, colocou.

O presidente islandês fez na quarta-feira uma conferência na escola de negócios Iese, na Espanha, e depois almoçou com jornalistas. Ólafur Ragnar Grimsson recomendou que a UE tire suas conclusões sobre a crise e a recuperação da Islândia e pediu a manutenção do equilíbrio entre “a democracia” e os “interesses econômicos”. “Os interesses econômicos em uma mão e a democracia na outra”, disse.

O presidente disse que a população não deve sofrer com medidas de duros cortes orçamentários e elogiou a combinação empregada pelo país, que passou por renegociar a dívida (a Islândia recusou, em um plebiscito, a pagar pelos erros de seus bancos) e uma desvalorização da moeda. O país, entretanto, mantém controles severos de capital desde 2008 e somente agora começa a questionar se deve eliminar ou não as restrições que bloqueiam a livre circulação de fundos por uma quantia que equivale a 50% do PIB.

Depois da Islândia iniciar, em 2009, as negociações para incorporar-se à União Europeia, em 2014 o Governo de centro-direita decidiu rompê-las. O presidente assegurou na quarta-feira que essa opção não foi “esquecida”, uma vez que parte do país ainda pede a integração. O chefe de Estado da Islândia, entretanto, admitiu que a questão pesqueira pesa na decisão. Vigora no país um sistema de cotas que o Governo e o setor pesqueiro defendem a todo custo e que desperta receios em Bruxelas, sobretudo em relação à pesca da sarda. Ólafur Ragnar Grimsson sustenta que a Islândia “nunca aceitará” essas condições. Ainda assim, afirmou que o debate continua e relembrou que o país já faz parte de vários acordos econômicos e de segurança do continente.

O presidente da Islândia explicou que hoje o turismo e as exportações de pescado, sobretudo de bacalhau, são as bases do país. A indústria turística há três anos cresce a um ritmo de 15% a 20%, o que a princípio ocorreu por conta da desvalorização da moeda, com as propagandas turísticas tendo sido lançadas depois. Em um país de 320.000 habitantes, a cada ano um milhão de turistas são recebidos, vindos sobretudo da Europa e dos Estados Unidos, mas agora também da Ásia. “Nos próximos 5 ou 10 anos o desafio é continuar com a mesma experiência sem danificar o meio ambiente”, disse o presidente islandês. Ele destacou que a crise financeira levou trabalhadores a mudar de setor, o que fomentou a criatividade e a inovação.
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FONTE: El PAÍS 

Lluis Pellicer foi ministro de Finanças da Grécia

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