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segunda-feira, 8 de junho de 2020

No Ministério da Justiça, Sergio Moro abriu as portas para o FBI

Por Natalia Viana

Reuniões do alto escalão, apoio a uma unidade de vigilância na Tríplice Fronteira e compartilhamento de dados biométricos de cidadãos dos dois países demonstram aproximação


Ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça clamando pela independência da Polícia Federal (PF). Mas uma análise dos seus 16 meses à frente do ministério mostra uma inclinação bem diferente – pelo menos no que diz respeito à influência do FBI sobre a polícia brasileira. 

Meses de investigação da Agência Pública em documentos oficiais revelam que, ao assumir o Ministério da Justiça, o ex-juiz e o ex-diretor da PF Maurício Valeixo assinaram acordos com o FBI, ampliando a influência americana em diferentes áreas de combate ao crime, incluindo a presença dos agentes estrangeiros em um centro de inteligência na fronteira, investigações sobre corrupção e acesso a dados biométricos brasileiros.
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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Lula, O Poderoso Chefão?

Por Malu Aires, no facebook


"Segundo Janot, Lula é o chefe de uma quadrilha que atuava dentro da Petrobras, desde o governo Fernando Henrique Cardoso.  Como a gente nunca desconfiou disso, seu Janot?

Um chefe de quadrilha que, enquanto seus 'subordinados' recheavam contas em milhões de dólares na Suíça, Israel, Caribe e EUA, passava os feriados num sítio emprestado em Atibaia, dentro de uma barco de alumínio, pescando tilápia.  Imaginem só se ele passaria as férias em Paris pra dar bandeira, né doutô Janot? 

Com a família reunida na beirada da lagoa, chinelo havaiana e caixas de isopor na cabeça, Lula criou um disfarce genial pro corruptos do século XXI - o do bondoso corrupto que rouba pros outros. Um chefe de quadrilha que roubava para ajudar os diretores da petrolífera (pobrezinhos), pra ajudar o PMDB a criar a cobra Cunha pra derrubar Dilma um dia e pra fazer o PP e o PMDB liderarem o ranking da corrupção que paga "SIM" prum processo sem crime. Lula é um gênio da invenção do tiro no pé.   Ô doutô Janot... como a gente não pensou nisso?

Como a gente não pensou que sua linha de raciocínio segue a mesma do Gilmar Mendes, do Revoltados Online, da Rede Globo, do PSDB, dos delegados misóginos da Lava Jato e da turma toda do Paraná que começou investigando lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas (mais uma vez operada pelo mesmo Youssef de sempre), indo parar bem longe de qualquer narcotraficante em Brasília?

Como a gente não percebeu a instituição sólida que é esse MPF que canta a mesma ladainha do Cassio Conserino? Que tem a mesma obsessão por Lula que o perturbado Douglas Kirchner?
Como a gente não percebeu que o negócio de vocês é prender o Lula sem crime e deixar os corruptos tirarem Dilma da presidência, sem crime também (um vale a pena ver de novo o mentirão)? 

Como a gente não percebeu que o Ministério Público virou privado e quem tá bancando a pipoca no cinema é o crime organizado por, entre outros, Cunha, Aécio e Serra?   E desde quando Ministério Público é instituição sagrada? Desde Brindeiro?

Geraldo Brindeiro, Roberto Gurgel e Rodrigo Janot
Depois que a gente descobre que gente como Fernando Capez e Carlos Sampaio já foram promotores, a gente entende que o time do Janot sempre teve bico grande.  Depois que a gente descobre que sempre o mesmo MPF pede clemência pros crimes cometidos por Youssef, sempre o absolvendo de lavagem de dinheiro pro tráfico, a gente constata que toda a cocaína no Brasil sempre entrou, sempre entra e sempre entrará sem dono. É que os narco-dólares estimulam bolhas na bolsa e no Mercado - tudo o que o neoliberalismo defende. Dinheiro esse que, somado à corrupção, desaba uma Petrobras em um dia de bolsa.

No final de janeiro de 2015, Janot conta à imprensa que teve sua casa arrombada. Disse ele que não levaram nada, além do controle do portão.   O que Janot não contou é que levaram dele nesse dia, a coragem que ele guardava na gaveta e a dignidade que ele escondia no armário."

quinta-feira, 24 de março de 2016

Is It A "Coup d'état"? What Is Happening in Brazil is Much Worse Than Donald Trump

By Amy Goodman and Nermeen Shaikh


Brazil is facing its worst political crisis in over two decades as opponents of Brazilian President Dilma Rousseff attempt to impeach her on corruption charges. But Rousseff is refusing calls to resign, saying the impeachment proceedings against her amount to undemocratic attempts by the right-wing opposition to oust her from power. On Wednesday, former Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva called the impeachment proceedings against Rousseff an attempted "coup d’état." We speak to Pulitzer Prize-winning journalist Glenn Greenwald. His piece, "Brazil Is Engulfed by Ruling Class Corruption—and a Dangerous Subversion of Democracy," recently was published by The Intercept.



TRANSCRIPT
This is a rush transcript. Copy may not be in its final form.


NERMEEN SHAIKH: We begin in Brazil, which is facing its worst political crisis in over two decades as opponents of Brazilian President Dilma Rousseff attempt to impeach her on corruption charges. But Rouseff is refusing calls to resign, saying the impeachment proceedings against her amount to undemocratic attempts by the right-wing opposition to oust her from power. On Wednesday, former Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva called the impeachment proceedings against Rousseff an attempted coup d’état. Lula, who was indicted last month on corruption charges, spoke Tuesday at a trade union event in São Paulo. 

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA: [translated] The current attempt against Dilma is a coup. There’s no other word for it. It is a coup. And this country cannot accept a coup against Dilma. If there was one last thing I could do in my life, it would be to help Dilma turn this country around, with the decency that the Brazilian public deserves.
AMY GOODMAN: Last week, a judge suspended President Rousseff’s appointment of Lula da Silva to a Cabinet post. Rousseff says Lula will help strengthen her government, but critics see his appointment as a bid to protect him from what Lula says are politically motivated charges of money laundering. The judge who blocked Lula’s appointment had recently posted photos of himself on social media marching in an anti-government protest. Lula and President Rousseff are both members of the left-leaning Workers’ Party. On Tuesday, Brazil’s president, Rousseff, said she would not resign under any circumstances.

PRESIDENT DILMA ROUSSEFF: [translated] Those who call me to resign show the fragility of their conviction of the process of impeachment, because, above all, they are trying to instate a coup d’état against our democracy. I can assure you that I will not cooperate with this. I will not resign for any reason whatsoever. ... I have not committed any crime under the constitution and law to justify an interruption to my mandate. To condemn someone for a crime that they did not commit is the greatest violence that can be committed against any person. It is a brutal injustice. It is illegal. I was victim to this injustice once, under the dictatorship, and I fought to never be a victim again, under democracy.
Brazilian President Dilma Rousseff
AMY GOODMAN: In recent weeks, mass protests have occurred in Brazil calling for President Rousseff to resign.

PROTESTER: [translated] The people are tired. The people don’t want this president, this Workers’ Party, this gang in power, anymore, this gang which only steals and conceals its illicit actions. The people are tired. Lula deserves to be in jail. That’s what he deserves.
Protester simulates Lula in a jail
AMY GOODMAN: Well, for more, we’re joined by Glenn Greenwald, the Pulitzer Prize-winning journalist based in Brazil. He’s been covering Brazil closely for The Intercept. His recent piece is headlined "Brazil Is Engulfed by Ruling Class Corruption—and a Dangerous Subversion of Democracy." In it, Glenn Greenwald writes, quote, "this is a campaign to subvert Brazil’s democratic outcomes by monied factions that have long hated the results of democratic elections, deceitfully marching under an anti-corruption banner: quite similar to the 1964 coup."

In a moment, we’re going to be talking with Glenn Greenwald about the attacks in Brussels, as well as the presidential elections here in the United States and the battle between Apple and the U.S. government over encryption. But right now we’re starting with Brazil.

Glenn, there is very little attention in the United States in the mainstream media about what’s taking place in Brazil. President Obama is right next door in Argentina, but can you talk about what is happening in the country you live in, in Brazil?

GLENN GREENWALD: Definitely. It is a little odd that such extreme levels of political instability have received relatively little attention, given that Brazil is the fifth most populous country in the world, it’s the eighth largest economy, and whatever happens there will have reverberations for all sorts of markets and countries, including the United States. The situation in Brazil is actually fairly complicated, much more so than the small amount of media attention devoted to it in the U.S. has suggested. The media attention in the U.S. has suggested that it’s the people, by the millions, rising up against a corrupt government, and sort of depicting it as the heroic population against a corrupt left-wing, virtually tyrannical regime. And in a lot of ways, that’s an oversimplification; in a lot of ways, it’s simply inaccurate. So let me just make a couple of key points.

First of all, it is the case that the Brazilian political class and its—the highest levels of its economic class are rife with very radical corruption. That has been true for a really long time. And what has happened is that Brazil’s judicial institutions and police agencies have matured. Remember, Brazil is a very young democracy. It only exited military dictatorship in 1985. And so you finally have the maturation of these institutions applying the rule of law. And so, for the first time, political and economic elites are being held accountable for very serious political and economic corruption. The corruption is pervasive in essentially every influential political faction in Brazil, including all of its political parties. That includes the Workers’ Party, the left-wing party of Lula and Dilma, the current president, but also, even to a greater extent, the opposition parties on the center and the right that are trying to replace it. So corruption is very real. There is a very—there’s been a—what has been, until recently, an impressive judicial investigation that has resulted in the arrest and prosecution of some of the country’s richest and most powerful figures—something that you would never see in the United States—billionaires being hauled off to jail for bribery and money laundering and tax evasion and corruption, and sentenced to many years in prison. And virtually every political opponent of President Rousseff is implicated by this corruption, and many of the people in her party are, as well.

The irony of this widespread corruption is that President Rousseff herself is really the only significant politician, or one of the only significant politicians, in Brazil not to be implicated in any sort of corruption scheme for the—with the objective of personal enrichment. Everyone around her, virtually, including those trying to bring her government down and accuse her of corruption and impeach her, is implicated very seriously in schemes of corruption for personal enrichment. She’s essentially one of the only people who isn’t implicated that way.

The problem is that there—at the same time as you have this massive corruption investigation, you also have an extremely severe economic recession, as the result of lowering gas prices and contraction in China and a variety of other factors. And up until very recently, up until 2008, 2010, Brazil’s economy was booming. The people of that country, including its poorest, have been—thought that their prospects were finally improving, that the promise of Brazil, the long-heralded promise of Brazil, to become this developed power in the world was finally coming to fruition. Millions of people were being lifted out of poverty. And what this recession has done has been essentially to reverse all of that and to reimpose huge amounts of suffering, borne primarily by Brazil’s lower and working classes. And so there’s an enormous amount of discontent and anger towards President Rousseff and towards her Workers’ Party over the suffering that the people in Brazil are experiencing. And so, what you have is this corruption scheme and corruption investigation and scandal at the same time as great economic suffering.

And in Brazil, there are really rich and powerful factions, who have long hated Lula and Dilma and the left-wing Workers’ Party, who haven’t been able to defeat them at the ballot box. The Workers’ Party has won four straight national elections, going back to 2002 when Lula was first elected. And so, what they are doing—and they’re using their extremely powerful media institutions, beginning with Globo, which is by far and away the dominant, most powerful media institution in Brazil, run by, like all Brazil’s significant media outlets, extremely concentrated wealthy families—are using this corruption scandal to—or using the anger towards the government to try and rile up people and essentially remove the Workers’ Party and President Dilma Rousseff from power, really because they can’t beat her at the ballot box. But they’re trying to latch on this corruption scandal to the discontent that people feel because of the economic suffering. And so there is a validity to the corruption scandal and to the investigation, even aimed at the Workers’ Party, but at the same time what you’re now seeing is, unfortunately, the judiciary, which has been pretty scrupulous until now about being apolitical, working with the plutocrats of Brazil to try and achieve a result that really is a subversion of democracy, which is exploiting the scandal to remove President Rousseff from power through impeachment, even though there really are no grounds of impeachment that would be legal or valid as a means of removing her from office.

Amy Goodman and Nermeen Shaikh - Democracy Now
NERMEEN SHAIKH: Well, one of the points that you make, Glenn, in that article is that—and I’m quoting you here—"Brazil’s extraordinary political upheaval shares some similarities with the Trump-led political chaos in the U.S." Could you explain what you mean by that?

GLENN GREENWALD: Well, what I essentially mean by that is that in the U.S. there is political upheaval, in the sense that the political order has been largely overturned. The people who have been in control of and running the Republican Party, which are largely monied interests, have completely lost control of their political apparatus. They poured huge amounts of money first into Jeb Bush and then into Marco Rubio. And typically, those factions get their way. And in this particular instance, they haven’t. And you have this kind of political outsider who has been rejecting all kinds of political orthodoxies, breaking every political rule, who is looking closer and closer to becoming the nominee of the Republican Party and potentially, after that, the president of the United States, and has done so in a way that has unleashed all kinds of instability and very dangerous and dark sentiments in the United States.

In Brazil, the instability is far greater. I was just writing for an American audience, trying to get them to understand the level of instability by saying that, actually, what’s happening in Brazil is much greater in terms of the disruption than what’s happening as a result of Donald Trump’s successful candidacy, because it pervades almost every economic and political institution. And what you really see is this young democracy in Brazil that is now being threatened as a result of this really opportunistic and exploitative attack on the part of the country’s richest media outlets and richest factions to essentially undo the result of four consecutive democratic elections by trying to remove a democratically elected president—she was just re-elected in 2014—on totally fictitious grounds of pretext. And it’s really quite dangerous once you start, you know, sort of undermining the fundamentals of democracy in the way that’s currently taking place in Brazil.

AMY GOODMAN: You know, this is interesting that today President Obama is in Argentina, and it was Adolfo Pérez Esquivel, who won the Nobel Prize, Peace Prize, who said he welcomed Obama but thought that the American president should not be going to Argentina on March 24th, because that day, in 1976, 40 years ago, the military staged a coup. Human rights groups estimate something like 30,000 people were killed or disappeared in that coup that followed for the next seven or so years. Esquivel said, "I’m a survivor of that era, of the flights of death, of the torture, of the prisons, of the exiles. And," he said, "when you analyze the situation in depth, the United States was responsible for the coups in Latin America." What parallels, if any, do you see? And also talk about Petrobras and the role that it’s playing in all of this, the state oil company in Brazil.

GLENN GREENWALD: You can’t really understand Latin American politics, in general, and the ongoing instabilities and difficulties that almost every country in South America is still plagued by without talking about the central role that the United States has continuously played for decades in trying to control that part of the hemisphere.

In Brazil, like in so many countries, they had a democratically elected government in early 1960s, which the United States disliked because it was a left-wing government—not a communist government, but a left-wing government—that was devoted to the distribution of wealth for the social welfare, for opposing United States’ capitalistic interests and attempts to interfere in Brazil. And the Brazilian military, in 1964, staged a coup that overthrew that democratically elected government, and proceeded to impose on Brazil a really brutal military dictatorship that served the interests of the United States, was allied to the United States for the next 21 years. Of course, at the time, the United States government, U.S. officials, before Congress and in the public eye, vehemently denied that they played any role in that coup. And as happened so many times in the past, documents ultimately emerged years later that showed that not only was the U.S. supportive of that coup, but played a direct role in helping to plot it and plan it and stage it and then prop up that dictatorship for 21 years. That dictatorship used very extreme torture techniques on the nation’s dissidents, on the Brazilian citizens who were working to undermine that right-wing military dictatorship, among whom was the current president, Dilma Rousseff, who in the 1970s was a guerrilla, essentially, working against the U.S.-supported military dictatorship. She was detained and imprisoned without trial and then tortured rather severely. And the documents have revealed that it was the U.S. and the U.K. that actually taught the military leaders the best types of torture techniques to use.

And so, what you have now is not really a repeat of the 1964 coup. It’s not really responsible to say it’s identical to what’s taking place, because the impeachment against Dilma is proceeding under the constitution, which actually does provide for impeachment. There’s an independent judiciary that’s involved in the proceedings. But at the same time, if you go back and look at what happened in 1964 with that coup, the leading media outlets in Brazil, that also hated the left-wing government because it was against their oligarchical interests, justified and supported that coup. They depicted it as necessary to uproot corruption in this left-wing government. You had the same media factions—Globo, and the families who own it, and other media outlets that still persist to today—agitating in favor of the coup and then ultimately supporting the military dictatorship. And so you have similarities in terms of the anti-democratic processes at work that prevailed in 1964 and throughout Latin America in so many other years, where the United States was at the center of.

As far as Petrobras is concerned, Petrobras is the Brazilian-owned oil company, and it has become crucial to Brazil’s economic growth, because as oil prices increased and as Brazil found huge amounts of oil reserve, it was anticipated that Petrobras would essentially be the engine of Brazil’s future economic growth. And it started being drowned, essentially, in profits. And the scandal, the corruption scandal, has Petrobras at the center because it largely involves Petrobras paying bribes to various construction companies, that they would essentially hire private construction companies to build various platforms and other infrastructure for Petrobras for oil exploration, and they would essentially pay far more than what the contract really called for, and there would then be kickbacks to the head of the construction company, but also to Petrobras and to the politicians who control Petrobras. And that really is what this corruption scandal was triggered by, was the discovery of huge numbers, huge amounts—you’re talking about millions and millions of dollars in kickbacks and bribes to the politicians, in virtually every significant party in Brazil, that control Petrobras. Virtually nobody is unaffected by it. And the more they’ve investigated, the more people have turned state’s evidence, the more corruption has been discovered, to the point where even if you now do impeach Dilma, it’s almost impossible to envision somebody who could take her place who isn’t far more implicated in that corruption than she is.

AMY GOODMAN: Well, Glenn Greenwald, we are going to break, and then, when we come back, we’re going to move from Brazil to Brussels, to the attacks there and the response by the U.S. presidential candidates. We’re talking to the Pulitzer Prize-winning journalist Glenn Greenwald, co-founder of The Intercept. And we’ll link to hispiece in this segment, "Brazil Is Engulfed by Ruling Class Corruption—and a Dangerous Subversion of Democracy." We’ll be back with him in a moment.
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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Petrobras ou Vale, qual mesmo está em maus lençóis?

Por Paulo Franco


O desempenho da Petrobras é realmente tão ruim como é amplamente divulgado pela imprensa e pelos analistas financeiros?  Para fundamentar minha análise vou usar uma das maiores empresas nacionais, a Vale. 

Como sabemos a Vale foi privatizada, enquanto que a Petrobras não, continuando como em empresa estatal de capital misto.

O interesse pelos paralelo que pretendo construir tem as seguintes  razões objetivas:
  • há uma discussão doutrinária e até ideológica quanto a questão do desempenho entre uma empresa privada e uma estatal.
  • Ambas as empresas tem tamanho e importância semelhantes, tanto no cenário doméstico quanto no cenário internacional.
  • Ambas as empresas atuam em segmentos semelhantes, tendo relação direta com o mercado de commodities.
  • Há uma crença que uma empresa privada, aqui representada pela Vale, é mais eficiente, imune de corrupção e praticas viciadas como o nepotismo, com mais liberdade de gestão, com mais velocidade no processo de decisório e portanto com resultados e retorno do capital melhores. 
  • Há uma crença na mesma linha, que uma empresa estatal, aqui representada pela Petrobras, é muito ineficiente,  consumida pela corrupção, vulnerável ao intervencionismo nocivo do estado, palco de praticas que vai do nepotismo e outras fraudes, com um processo decisório lento e por conseguinte apresenta baixos resultados com retorno de capital extremamente baixo. 


EVOLUÇÃO DO LUCRO



Para facilitar a percepção, plotei a evolução dos lucros líquidos anuais das duas empresas, no gráfico ao lado.

Através do gráfico fica fácil perceber que o desempenho da Petrobras foi melhor do que o da Vale no período de 2002 a 2014.
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Outra variável fundamental a favor da Petrobras é a volatilidade (risco) dos resultados obtidos ano a ano.  Os resultados da Petrobras tem baixa variabilidade, além de ter sido sistematicamente crescentes não sendo observado prejuízo em nenhum ano nesse período.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

A Forbes, a Petrobrás e os Berlusconis brasileiros

Por Paulo Franco


A Petrobrás cai para a 416ª colocação no ranking da Forbes e a Vale cai para a 413ª colocação.  Os coronéis da Mídia, mostram somente a queda da Petrobras, fazendo o maior barulho, mas escondem queda da Vale para não ofuscar a tragédia na Petrobras.




A FORBES

A Forbes, a revista já conhecida de todos.  Talvez, mais que as torres gêmeas, que o FMI, a Forbes é o grande símbolo do capitalismo moderno.  O capitalismo da ostentação, o capitalismo que exalta a concentração de rendas, que mostra uma distância social do tipo Oiapoque a  Chuí.  Quanto maior a distancia entre esses dois polos, maior é o sucesso de um desses polos, enfatizando que sucesso é estar no topo.  Aí a existência dos miseráveis espalhados pelas periferias do mundo têm  a função de exponenciar o sucesso do seleto clube Forbes. 

A PETROBRAS

A Petrobras é a maior empresa brasileira, detém o controle sobre a exploração, a produção de petróleo e gas no Brasil.  Tem mais de 100 mil funcionários diretos e talvez uns 400 mil indiretos.  Tem um desempenho que é referência mundial, não só no campo exploratório, como no desempenho operacional, econômico e financeiro, mas também nos avanços tecnológicos. 
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Neste mês de maio, a empresa recebeu pela terceira vez o prêmio, o OTC Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations and Institutions, ao conjunto de tecnologias desenvolvidas para a produção da camada Pré Sal. Esse prêmio, segundo a própria Petrobras, é o maior reconhecimento que uma empresa de petróleo pode receber na qualidade de operadora de offshore.

Fato importantíssimo para a Petrobras e para o Brasil, obviamente ignorado pelos nossos Berlusconis propositalmente.  A Petrobras também está tendo uma valorização no mercado de ações  de quase 100% em pouco mais de um mês, o que a mídia também esconde da sociedade, informando somente quando os preços das ações caem.

Recentemente também, a gigante do Petroleo a anglo-holandesa Shell, comprou uma de suas grandes rivais pela bagatela de US$ 70 bilhões, o BG Group,  tornando-se o maior parceiro da Petrobras na exploração de Petróleo e Gas.  Analistas tem declarado que na verdade a Shell comprou o "Brasil" ao fechar essa aquisição do BG Group. 


OS BERLUSCONIS BRASILEIROS

Os Berlusconis brasileiros, é uma denominação atribuída aos coronéis da mídia brasileira,  pela organização internacional RSF - Repórteres Sem Fronteiras.  Essa denominação é uma alusão ao poderoso, bilionário,  neoliberal, proprietário da Mediaset e do clube de futebol A.C. Milan. Político poderosíssimo, foi primeiro-ministro por 4 vezes.

Os Berlusconis brasileiros, mais ricos que o próprio Silvio Berlusconi, são também poderosíssimos, também, mais poderosos no Brasil do que o próprio Berlusconi na Itália.  Encabeçam a lista das famílias mais ricas do Brasil desempenhando o papel de porta voz e "ministério da Comunicação e Propaganda" da elite burguesa brasileira.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Lucro efetivo da Petrobrás surpreende e cresce 24%


Por Paulo Franco



  • A Receita Líquida foi de 337,3 bi, contra 304,9 bi em 2013 (+11%)

  • O Lucro Bruto foi de 80,4 bi contra 70 bi em 2013 (+15%)

  • O Lucro Líquido foi de 29,2 contra 23,6 bi em 2013 (+24%)














A divulgação do balanço da Petrobras passou a ser um dos fatos mais emblemáticos e importantes que aconteceu nestes últimos tempos, não só para o Brasil e para o exterior também.

Essa divulgação tem sido aguardada com muita expectativas pois diversos os segmentos da sociedades que são impactados pela empresa, seu comportamento, seu desempenho e suas decisões estratégicas. Destaca-se aí o mercado de ações e de crédito, o mercado de mão de obra, as empresas fornecedoras de equipamentos e matéria primas, as reservas de óleo e gas, sua exploração e distribuição dos derivados, o mercado internacional, os grandes players e outros tantos segmentos.
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As demonstrações foram divulgadas hoje, mas embora eu não tenha os números nos detalhes necessários para se fazer uma análise mais rigorosa, resolvi fazer algumas considerações, que considero extremamente importantes, embora com ainda não conclusivos. Qualquer Contador sabe que os ajustes efetuados não se referem especificamente ao ano de 2014. As empresas utilizam-se do regime de competência, onde receitas e despesas são contabilizadas conforme a sua efetiva utilização e não ao registro da operação ou do pagamento ou recebimento. 

Portanto é totalmente fora de propósito, qualquer afirmação de que o lucro de 2014 caiu X% em relação a 2013 e também que o lucro de 2014 foi o menor desde 1991, ou qualquer outra comparação dessa natureza. 

Esses ajustes referem-se ao período de 2004 até 2014. Mas o regime de competência não é aplicado para o passado, mas tão somente para o futuro, portanto o lançamento tem que ser feito, independentemente de sabermos que, efetivamente, esses números não são reais, portanto incoerente a comparação sem uma adequação anual. 

Usando um critério simples utilizados para análise que é a eliminação dos ajustes, para que os números sejam coerentes com os demais anteriores, e assim identificarmos qual foi o desempenho, de fato, da empresa nas suas operações normais. 

Embora não tenhamos ainda os números contáveis nos detalhes necessários, algumas conclusões já podemos tirar. Os ajustes foram 6,2 bi da corrupção e 44,6 bi de reavaliação dos ativos, que soma 50,8 bi.

  • A Receita Líquida foi de 337,3 bi, contra 304,9 bi em 2013 (+11%)
  • O Lucro Bruto foi de 80,4 bi contra 70 bi em 2013 (+15%)
  • O Lucro Líquido foi de 29,2 contra 23,6 bi em 2013 (+24%) 

O Lucro de 29,2 bi conseguidos em 2014 foram reduzidos a um prejuizo de 21,6 bi, devido à dedução dos 50,8 bi já citados acima. 

Amanhã, dia 23 quinta-feira, os mercados refletirão os números divulgados nos preços dos papeis.  O dia promete ser bastante volátil, pois além da avaliação dos impactos decorrentes dos números divulgados, há o confronto entre compradores e vendedores, um confronto de diferentes expectativas em relação ao futuro da empresa. 

Evidentemente que os analistas das instituições financeiros e dos fundos de investimentos e corretoras de valores se debruçarão sobre esses números para avaliar o quando as perdas contabilizadas afetam o atual valor da empresa no mercado e também, como os resultados operacionais e financeiros, devidamente expurgados, afetam as expectativas futuras da empresa em termos de trajetória de geração de resultados.


sexta-feira, 6 de março de 2015

A neutralidade diante da ameaça de golpe de Estado é apoiar o golpe

por Rui Costa Pimenta


Agora, chegamos ao ponto em que as ilusões sobre a possibilidade de golpe de Estado no Brasil estão fora de questão. Todos os líderes da direita deixaram claro que pretendem remover Dilma Rousseff da presidência nos próximos 30 dias.

Desde 2013, vimos apontando que o imperialismo, impossibilitado de remover os governos da burguesia nacional dos países atrasados pela via eleitoral, se via obrigado a substituí-los por meio de golpes de Estado.
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Os golpes de Honduras (2009) e, principalmente, do Paraguai (2012) marcam o ponto de inflexão desta política. Egito (2013), Ucrânia (2014) e Tailândia (2014) o confirmam.

Todos os governos de inclinação nacionalista da América Latina estão submetidos ao cerco político do imperialismo: Argentina, Equador, Venezuela, Bolívia etc.

No Brasil, a campanha golpista pretende atingir um novo patamar com a manifestação de 15 de março próximo, para a qual estão sendo investidos enormes recursos. O tema central da campanha golpista é, como é de hábito nas campanhas políticas da direita ligada ao imperialismo estrangeiro, a corrupção. Sob esta bandeira, estão mobilizando uma fração mais despolitizada, direitista e conservadora das classes médias.

A ninguém é permitido negar que esta manifestação e a campanha da qual é uma espécie de coroamento são organizadas, dirigidas e orientadas politicamente por uma ampla frente única de direita, que vai de organizações abertamente fascistas aos direitistas tradicionais e que, por detrás delas, se encontra o tradicional inimigo do povo brasileiro, o imperialismo, em particular o imperialismo norte-americano, artífice dos golpes de 1954 e 1964.

Os objetivos do golpe podem ser percebidos com extrema facilidade. Basta ver o programa de destruição completa da Petrobrás, estabelecido pelos golpistas na imprensa, e o violento pacote econômico de Beto Richa no Paraná, que suscitou uma imensa mobilização da massa do funcionalismo público daquele Estado.

A crise econômica mundial chegou a um ponto crítico. Os governos de tipo nacionalista, mesmo muito moderados como o PT, já não são tolerados pela burguesia que necessita retomar em sua plenitude a política neoliberal da década de 1990 e levá-la a um novo nível, sem precedentes, de ataques à classe trabalhadora e ao povo.

Independente do resultado imediato da campanha golpista, que ameça de imediato, derrubar o governo que tomou posse em janeiro, ou seja, impedi-lo de exercer o mandato popular, o crescimento e fortalecimento da direita, é uma ameaça a todo o movimento operário e popular, às suas organizações e aos direitos democráticos conquistados.

Diante da ameaça de golpe de Estado não pode haver nenhuma neutralidade. Aqueles que não denunciam e não combatem a ofensiva golpista, apoiam e são cúmplices, diretos ou indiretos, voluntários ou involuntários do golpe de Estado.

Opor-se ao golpe de Estado não significa nem concordar, nem apoiar a política do PT, como martela insistentemente a propaganda da direita. Representa, ao contrário, um movimento de defesa dos trabalhadores contra um inimigo muito superior e muito mais feroz que a política de conciliação de classes do PT.

A classe trabalhadora brasileira encontra-se em um momento histórico fundamental e deve se colocar à altura do desafio mobilizando-se contra a direita em defesa dos seus interesses próprios, das suas organizações e das suas conquistas sociais e políticas e, acima de tudo, do futuro desenvolvimento da sua luta.

Chamamos todos os trabalhadores e a juventude a se mobilizar contra a ameaça do golpe de Estado com suas próprias bandeiras e sua próprias reivindicações. Chamamos todos a participar do ato do dia 13 de março, que é um esforço consciente para dar uma resposta à ameaça de golpe de Estado da direita.
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Rui Costa Pimenta, jornalista formado pela Fundação Casper Líbero, participou intensamente dos movimentos estudantis, atualmente  é presidente do PC0 - Partido da Causa Operária. 





segunda-feira, 2 de março de 2015

A Petrobras e o Mercado de Ações

Por Paulo Franco


Abaixo estão os gráficos de cotações das ações de duas empresas, no período de 2011 a 2014, referindo-se exatamente ao primeiro mandado do governo Dilma Rousseff.   Um deles são das ações da Petrobras.

A ideia ao disponibilizar esses gráficos foi estimular e até provocar  as pessoas no sentido de analisar, questionar, e refletir sobre a Petrobras, o mercado de ações, a imprensa, os comentaristas economicos e de investimentos, os políticos e tudo mais que possa ter uma relação com a empresa e o que está acontecendo atualmente em torno dela.

Eu adiantaria algumas dúvidas, alguns questionamentos como sugestão:
  • Qual gráfico refere-se às cotações da ações da Petrobrás?
  • Qual seria a outra empresa que está representada num dos gráficos?
  • Quais semelhanças e quais as diferenças é possível identificar nesses gráficos?
  • Quais fatores estariam determinando a evolução dos preços de uma e de outra empresa?
  • É possível identificar a influência da corrupção nesses gráficos?
  • É possível identificar a magnitude do efeito da corrupção  nos gráficos?

Muitas outras questões podem ser levantadas, assim como muitas explicações podem ser dadas para o comportamento das cotações das ações dessas empresas.
 

Empresa A



















Empresa B

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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Em defesa da Petrobras

Por Pedro Celestino Pereira



 "...A criação da Petrobras foi uma das causas que levou Getúlio ao suicídio.  Ousara ele desafiar o capital internacional..."

"...O processo de cooptação e corrupção na Petrobrás teve início de forma sistemática no primeiro mandato de FHC quando, com Joel Rennó..."

"... A Consultoria norte-americana "A D Little" recomendou fatiar a Petrobras em Unidades de Negócio, para permitir a sua privatização por etapas..."

"...assegurava-se ao ABN AMRO Bank, presidido por Fabio Barbosa, em seguida nomeado para o Conselho de Administração da Empresa e ao J P Morgan, remuneração mínima para o capital que, eliminando qualquer risco... É a famosa cláusula Marlim, à baila hoje no noticiário sobre a compra da refinaria de Pasadena..."


A Petrobras é a maior expressão da capacidade criadora do povo brasileiro. Símbolo da afirmação da vontade nacional, gestada a partir de ampla mobilização popular, endossada por expressivas lideranças militares, a sua criação foi, na década de 50 do século passado, a principal responsável pela crise política que levou Getúlio Vargas ao suicídio. Ousara ele desafiar o capital internacional que então dominava completamente a nossa economia, ao propor a criação de empresas estatais que alavancassem o nosso desenvolvimento industrial.

Por décadas enfrentando, desde o ceticismo de geólogos estrangeiros que, através da grande imprensa, viviam a apregoar que no Brasil não havia petróleo, até a oposição sistemática de forças políticas que sempre se pronunciaram e se pronunciam abertamente a favor da entrega do negócio do petróleo ao capital estrangeiro sob a alegação de que, aqui, não há capacidade técnica nem capital para desenvolvê-lo, a Petrobras arrostou todos os obstáculos e firmou-se como uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.
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Claro está que, em empresas do porte da Petrobras, públicas ou privadas, sempre houve e haverá irregularidades e malfeitos. O que cabe discutir hoje é o processo que levou a Petrobras à incômoda situação em que se encontra, de modo que possamos defendê-la, no momento em que se pretende fragilizá-la para permitir o assalto estrangeiro às maiores reservas de petróleo descobertas nos últimos 30 anos, as do Pré-Sal.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Programa de Marina: Bom para Bancos e Ruim para Industria, afirma Citibank

Por PRISCILA JORDÃO para a Agência REUTERS




Analistas de Investimentos do Citibank dissecaram o programa de governo do PSB e concluiram que programa de Marina Silva é favorável a bancos, mas pode ser ruim para parte da indústria




SÃO PAULO (Reuters) - O programa de governo da candidata do PSB à Presidência,    Marina Silva
divulgado na semana passada, caso implantado traria benefícios a bancos privados e a concessionárias de infraestrutura, mas poderia ser negativo para algumas empresas do setor industrial, apontaram analistas do Citi em relatório nesta terça-feira.

Os analistas Stephen Graham e Fernando Siqueira afirmaram que o programa da candidata é economicamente conservador e socialmente liberal, mesclando sustentabilidade social e ambiental com políticas fiscal e monetária ordotoxas.  "As propostas macro são uma resposta direta às críticas do mercado à política vigente", disseram os analistas, acrescentando que políticas fiscal e monetária com credibilidade podem exigir medidas duras no próximo ano.

"Provavelmente envolvem movimentos iniciais dolorosos nas taxas de juros, impostos, gastos públicos e nos empréstimos dos bancos públicos que podem manter a economia crescendo em marcha lenta em 2015."   Para eles, a proposta de Marina de desconcentrar o crédito corporativo, com redução do papel dos bancos públicos, traria mais espaço para os bancos privados crescerem.
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No setor de infraestrutura, concessionárias como CCR, Ecorodovias, Arteris, Cosan e ALL são potenciais beneficiárias, uma vez que o programa prevê "recorrer mais fortemente a parcerias público-privadas (PPPs) e a licitações de concessões".

domingo, 2 de fevereiro de 2014

PETROBRÁS: Queda do Lucro em 2012 foi um Acidente uma será uma Tendência?

Por PAULO FRANCO


Lucro da Petrobrás em 2013 foi de 23,6 bilhões de reais, 11% superior ao de 2012.

Alguns fatores impactarão os resultados positiva ou negativamente: 

(i) Refinarias bate novo recorde de carga refinada em 2014, com  2,1% de crescimento sobre 2013

(ii) 7 plataformas iniciaram produção: 2 no final de 2013 e 5 ao longo de 2014, produção deverá crescer 7,5%

(iii) Provisionamentos para correção dos ativos superavaliados




Levantei o histórico do LUCRO LÍQUIDO ANUAL DA PETROBRÁS DESDE 1995 ate 2013.   A maioria dos indicadores da empresa, nesse período,  apontam para um excelente desempenho, mas os lucros de 2012 e 2013 contrariaram essa tendência.  O lucro de 2013 superior em 11% sobre o  de 2012 não garante ainda que a tendencia foi revertida, mas os demais indicadores, o planejamento e o mercado aponta para lucros superiores aos 30 bilhões de reais no médio prazo.

Nesses últimos 8 anos o lucro da companhia teve um desempenho excepcional, com um crescimento vertiginoso, salvos alguns soluços esporádicos. Antes do ano 2000 o lucro ficou sempre abaixo dos R$ 2 bilhões. Nos anos 2000, 2001 e 2002 a Petrobras gerou lucros líquidos em torno de R$ 9 bilhões anuais. Mas a partir de 2003 a Petrobras apresentou um crescimento fantástico, saindo de R$ 8,1 em 2002 para atingir R$ 35 bilhões em 2010, equivalente à um crescimento de 334%.
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A queda do Lucro da Petrobras foi forte em 2012 e tudo indica que vai repetir o valor em 2013, ou algo não muito diferente dos R$ 21 bilhões.

Não há nada que indique que há uma tendência de queda nos lucros para os próximos anos. Mas se isso acontecer, corre-se o risco de transformar a empresa, na PETROBRAX dos tucanos, com os lucros voltando para a casa dos R$ 9 bilhões, com uma rentabilidade (ROI) que não chegava a 9%. Uma situação drástica. Pior se chegar aos números do primeiro ano do governo SERRA/FHC, de pouco mais de R$ 1 bilhão de reais por ano. Aí vou ter que tirar o chapeu para os antipetistas de plantão, cujo discurso é "o PT quer quebrar a Petrobras".

So que tem uma pequena diferença, os tucanos queriam quebrar a Petrobras para vender por um precinho "interessante" para os amigos internacionais. No caso do PT não. Se o PT quebrar a Petrobras será por incompetência ou no mínimo, por descaso.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Getúlio Vargas: A Carta-Testamento


"Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”. (Getúlio Vargas)


Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.
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Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”. 

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

24 de agosto de 1954.

Getúlio Vargas

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

"O que atrai investimento é o respeito aos contratos"

Nicola Pamplona e Octávio Costa



Presidente da britânica BG para a América do Sul, Nelson Silva, diz que os temores sobre a economia brasileira não afetam o grupo



"Ciência e tecnologia serão o legado do petróleo no Brasil"
Nos próximos cinco anos, a petroleira inglesa BG planeja investir US$ 15 bilhões na exploração de óleo e gás no Brasil. Principal parceira da Petrobras nos campos de pré-sal já em atividade, a empresa se tornará em 2014 a segunda maior produtora de petróleo do país, atrás apenas da estatal, mas bem à frente das demais concorrentes estrangeiras. O fato de não ter participado dos leilões mais recentes de Libra e de extração de gás não significa um pé no freio.

Em entrevista ao Brasil Econômico, o presidente executivo (CEO) da BG para a América do Sul, Nelson Silva, explicou que seu grupo prefere assumir riscos por conta própria, evitando entrar na disputa por reservas já conhecidas. "A BG assume o risco exploratório - risco calculado, obviamente - para entregar o valor da descoberta, quando há descoberta, ao acionista. Já existindo uma descoberta, a margem é muito pequena". Essa estratégia, segundo ele, não é afetada por prognósticos negativos sobre a economia ou pela ameaça das empresas de classificação de risco de reduzirem o rating do Brasil. "Acima de tudo, o que atrai o investimento é a segurança jurídica e o respeito aos contratos", explica o empresário, acescentando: "O ímpeto do nosso investimento no país é criado pela oportunidade e pelo arcabouço legal e institucional onde a gente opera".

A BG ficou fora da 12ª Rodada de Licitações, realizada na última quinta-feira. Por quê?


Por decisão estratégica. Nossa área de exploração está constantemente olhando várias oportunidades e cada oportunidade é comparada com outras que temos no portfólio. Como a gente não pode estar em todos os lugares, temos que priorizar. E decidimos não participar dessa rodada. Da 11ª Rodada participamos fortemente, adquirimos 10 blocos. Numa próxima rodada, dependendo das condições e do momento, podemos voltar a participar.

Alguma relação com o fato de ser uma rodada voltada para o gás natural?


Não. Tem a ver com a oportunidade em si. São vários elementos, não é só a economicidade. Nesse momento, decidimos não participar. Iremos participar de futuras rodadas no Brasil sempre que as condições da rodada em si, naquele momento, forem atrativas.

terça-feira, 30 de abril de 2013

10 motivos para acreditar que chegou a hora da virada da bolsa brasileira



BofA acredita que país chegou a um ponto de inflexão em termos de crescimento, lucros e confiança e seleciona 3 blue chips para se aproveitar dessa reviravolta.


Por Thiago Salomão

O viés negativo dos grandes investidores para a bolsa brasileira, algo que ficou explícito nos últimos meses, parece cada vez mais se distanciar da realidade atual. É a percepção que se tem com os relatórios elaborados pelos analistas de bancos internacionais, que possuem como grande maioria de clientes investidores internacionais e institucionais - ambos responsáveis por movimentar uma enorme quantia de dinheiro.

Jutando-se aos últimos relatórios divulgados nas últimas semanas por casas de research renomadas, como Credit Suisse, HSBC e Santander, o time de analistas do Bank of America Merrill Lynch divulgou na manhã desta terça-feira (30) um relatório entitulado "10 reasons not to be so bearish on Brazil", ou 10 motivos para não estar "bearish" (com viés baixista) para o Brasil, na tradução livre.

O estudo, assinado por Felipe Hirai, David Beker e Marina Valle, conclui que, após um longo período de pessimismo por parte dos investidores, o Brasil finalmente chegou a um ponto de inflexão em termos de crescimento, lucros e confiança, apostando que agora é a hora da retomada. Além disso, os analistas do BofA afirmam que a melhor forma de se posicionar no País é por meio das ações das blue chips Itaú Unibanco, Petrobras e Vale que têm performado abaixo da média em 40% desde 2009.



Enxegando ponto de inflexão no Brasil, BofA Merrill Lynch lista 10 motivos para não estar pessimista com Brasil e seleciona três blue chips para se posicionar na bolsa.

Os 10 motivos:


1. Crescimento em 2013 muito mais forte do que de 2012: 

a atividade econômica vem mostrando sinais de retomada, com a atividade industrial retornando para o campo positivo em fevereiro, ao passo que as vendas de varejo apresentaram um crescimento de 19,7% entre o primeiro trimestre de 2012 e 2013.

No lado da oferta, as perspectivas para a agricultura estão bastante otimistas, apontando para um crescimento de 8,6% neste ano. Já no setor industrial, o menor "spread" dos financiamentos neste ano deve amenizar os impactos na saúde financeira das empresas. Ainda sobre os spreads, o BofA avalia que os bancos sofreram menos com as medidas anunciadas pelo governo em 2012 nesse âmbito.

2. Necessidade "desesperada" de investimento privado:

para o BofA, o ponto-chave para resolver o enigma "baixo crescimento + alta inflação" é aumentar o investimento privado. E o governo já começou a se mobilizar neste sentido, apontam os analistas do banco, destacando o aumento na TIR (Taxa Interna de Retorno) oferecida nas novas concessões rodoviárias, de um patamar entre 5% e 5,5% para 7% e 8%. Além disso, diversos pacotes de estímulo engatilhados pela presidente Dilma e o aumento das PPPs (Parcerias Público Privada) também trazem uma expectativa favorável para o País.

3. Consenso do mercado está "bearish" demais:

segundo dados da pesquisa de gestores realizada pelo próprio BofA, os investidores seguem "underweight" (com exposição abaixo da média) com o Brasil, com o fluxo dos fundos mostrando uma saída líquida de US$ 1,6 bilhão desde o começo do ano - no resto do mundo, houve uma entrada líquida de US$ 105 bilhões em ações. "Na nossa visão, o sentimento sombrio em torno do Brasil parece já estar precificado em seu mercado de ações", concluem Hirai, Beker e Valle.